O Conselho de Administração (CA) da Petrobras apreciará, na quarta-feira (28/8), a indicação do novo diretor de Governança & Conformidade, que ocupará a vaga deixada por Rafael Mendes Gomes, no início de julho.
O nome do novo executivo da área será escolhido a partir de uma lista tríplice – pré-avaliada por Roberto Castello Branco, presidente da petroleira, e pelo Comitê de Pessoas – e encaminhada ao colegiado já com a indicação de um nome de preferência.
Internamente, fontes ligadas ao alto escalão afirmam que os principais candidatos à posição são Marcelo Barbosa de Castro Zenkner, ex-procurador do Ministério Público do Espírito Santo e atual membro do Comitê Interno de Medidas Disciplinares da Petrobras, e Reynaldo Goto, diretor de Compliance da BRF. As maiores apostam se voltam ao nome Zenkner.
O processo de seleção dos indicados ao cargo foi coordenado pela Korn Ferry, empresa que mantém contrato de recrutamento com a Petrobras e que vem atuando nos casos de sucessão do alto escalão. Os trabalhos tiveram inicio uma semana depois do anúncio da saída de Rafael Gomes, ainda em julho.
A lista tríplice não contempla nenhum funcionário de carreira da Petrobras; apenas executivos com experiência de mercado. A avaliação é que, dado o pouco tempo de existência da Diretoria de Governança & Conformidade, criada em 2015, a petroleira ainda não possui executivo concursado com experiência suficiente para comandar a área.
As primeiras ações da Petrobras visando à sucessão de Gomes se voltaram ao nome de Marco Vinícius Clausen Spinelli, ouvidor-geral da companhia. Bem visto internamente, o executivo tinha o apoio de Castello Branco, dos diretores e dos conselheiros e chegou a ser sondado, mas optou por não participar do processo, temendo eventuais repercussões negativas por ter atuado na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo.
A seleção foi pautada em dois perfis distintos de executivos: um com foco em conformidade e governança, mas voltado à gestão das operações do dia a dia, e outro mais direcionado à governança/conformidade – estratégias dividem opiniões internamente.
Na prática, o novo diretor terá o desafio de destravar a companhia, sem perder de vista as regras de compliance. Um dos gargalos está ligado à contratação de bens e serviços, que segue cada vez mais moroso. Passado o tempo de criação e arrumação das normas pós-Lava Jato, a empresa precisa ganhar agilidade.
Outro desafio do futuro diretor será melhorar o clima interno da área de Governança & Conformidade e assegurar um bom relacionamento com as demais áreas da companhia, sobretudo com os membros do Conselho de Administração e da diretoria. A passagem de Rafael Gomes pela Petrobras deixou marcas, reforçadas ainda mais pela sua turbulenta saída.
O novo diretor terá a tarefa de escolher o nome do gerente-executivo de Governança, área que vem sendo ocupada interinamente por Augusto Moraes Haddad, desde a saída de Márcio Campanelli, que deixou a Petrobras pouco tempo antes de Rafael Gomes. Há rumores de que poderá haver também reestruturação na gerência-executiva de Conformidade.
Gestão de Gomes
Considerado vaidoso e de difícil trato, Rafael Gomes comandou a diretoria de Governança & Conformidade de abril de 2018 a julho de 2019. Nesse período, não buscou maior proximidade com os demais diretores da Petrobras e manteve uma relação quase sempre complicada e tensa com os membros do CA.
Mais atuante na área de Conformidade, bateu de frente quando era necessário e também quando não era. Deu munição para o seu processo interno de fritura, iniciado poucos meses depois da posse de Roberto Castello Branco.
Internamente, a percepção era que, nos últimos tempos, Gomes atuava mais para o externo do que para a Petrobras. Frequentador do linkedin, o executivo utilizava com frequência a rede profissional para postar fotos de cursos, seminários e ações feitas com sua equipe, o que contrastava com os perfis low profile dos demais diretores.
Nos últimos meses, trabalhou empenhado em garantir a realização, em dezembro, do World Compliance Conference, no Rio de Janeiro, em parceria com o IBP. Com dotação de R$ 1 milhão, o ex-executivo da Petrobras pretendia fazer o maior evento de compliance do mundo, contando com o apoio da ex-consultora externa de Compliance para o Departamento de Justiça dos EUA, Hui Chen.
Desde a saída de Rafael Gomes, a diretoria de Governança & Conformidade da Petrobras vem sendo comandada interinamente por Eberaldo de Almeida, diretor de Assuntos Corporativos. Com a aprovação do CA, a Petrobras terá seu terceiro diretor de Governança & Conformidade em pouco mais de quatro anos, passando a ter todas as diretorias de seu organograma atual ocupadas em definitivo.
Criada na esteira dos primeiros escândalos de corrupção da operação Lava-Jato, a diretoria de Governança & Conformidade da Petrobras tem em seu histórico – além do inesperado pedido de demissão de Rafael Gomes – o episódio em que João Elek, ex-diretor da área, contratou, sem licitação, a Deloitte – empresa na qual sua filha participava de um processo de seleção, tendo sido contratada posteriormente.
Fonte: Revista Brasil Energia