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No primeiro trimestre, resultado foi puxado principalmente pelas cargas feeder, que registraram crescimento de 42,6%, segundo dados da Abac junto às EBNs associadas
A Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) verificou um aumento de 18,4% nas operações do modal no primeiro trimestre de 2024, com transporte de 341.256 TEUs. O acréscimo em relação ao mesmo período do ano passado foi puxado pelas cargas feeder, que tiveram crescimento de 42,6% no período, somando 163.295 TEUs transportados. Para as cargas domésticas, a movimentação foi de 177.961 TEUs, que representou um incremento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2023.
A associação avalia que os resultados dos três primeiros meses de 2024 foram bastante significativos e marcam a recuperação da curva de crescimento de 2021, quando o segmento sentiu mais fortemente os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre a economia brasileira e, consequentemente, no transporte marítimo costeiro. Os dados do primeiro trimestre não incluem a movimentação da Norcoast, que começou a operar na cabotagem brasileira em 2024, e que não é associada à Abac.
“Esses números são interessantes com o crescimento forte do feeder demonstrando que a economia brasileira voltou à atividade e o crescimento significativo doméstico”, avaliou o diretor executivo da Abac, Luis Fernando Resano. Ele atribuiu o resultado do feeder ao crescimento da atividade econômica do país, sobretudo a importação de materiais. “Recuperamos os volumes de 2021, pré-pandemia. Isso mostra que o vale criado está sendo recuperado”, afirmou à Portos e Navios.
Mercosul
O resultado negativo foi registrado no trade Mercosul, cujo volume foi de 14.267 TEUs, representando uma queda de 29,8%. De acordo com a Abac, esse desempenho está fortemente motivado pelo fim dos acordos bilaterais de transporte marítimo do Brasil com a Argentina e com o Uruguai, somado à situação econômica da Argentina.
Estiagem
O diretor executivo da Abac disse que foram entregues todas as cargas impactadas pela estiagem de 2023 e que agora a preocupação das empresas brasileiras de navegação (EBNs) que operam na trafegam na região Norte é com a preparação para evitar uma repetição, a partir do terceiro trimestre, do período de seca que prejudicou a navegação ano passado. “Estamos alertando nossos clientes a mandarem suas cargas o mais cedo possível. Pode ser que no segundo trimestre haja um aumento bom por conta de antecipação de cargas. De qualquer forma, estamos insistindo para que sejam feitas dragagens, para não sermos tão impactados pela seca”, contou Resano.
Fonte: Revista Portos e Navios