
O secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviário, Diogo Piloni, afirmou, nesta terça-feira (19), que existe espaço de crescimento para carga geral na cabotagem do Brasil. De acordo com ele, o setor tem crescido mais de 10% no transporte de contêiner, além de ter potencial para crescer duas ou três vezes mais do que isso, a partir da adoção de medidas institucionais simples. A declaração foi dada durante reunião virtual promovida pela Empresa de Planejamento Logístico (EPL) para debater a expansão do transporte aquaviário no país.
Piloni ressaltou a importância do programa BR do Mar do governo federal, que tem como objetivo ampliar a cabotagem no Brasil. Atualmente o setor representa apenas 10% da matriz logística do país. Ele destacou que medidas como a flexibilização do fretamento de navios; novas linhas para a cabotagem; redução dos custos da prestação do serviço e fomento a novos players, podem contribuir para o crescimento do setor.
De acordo com o secretário ainda, o Plano Nacional de Logística (PNL) desenvolvido pela EPL, tem sido uma importante ferramenta para a política de transporte no país, transparecendo a expectativa de que há crescimento da cabotagem na matriz logística. O PNL tem como meta a elaboração de um planejamento estratégico para a movimentação de cargas, considerando a interação entre os diferentes modais. O objetivo é propor soluções que propiciem redução de custos e aumento da qualidade dos serviços, buscando o equilíbrio da matriz.
Durante o evento, técnicos da EPL apresentaram modelos de custos desenvolvidos pela empresa e que serão incluídos no PNL. Além disso, divulgaram dados referentes à movimentação de carga dos transportes aquaviários: cabotagem, longo curso e hidrovias, bem como as perspectivas de crescimento de cada um.
Tomando como base de referência informações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a EPL afirmou que as cargas de graneis líquidos representam 42% da movimentação da cabotagem, sendo assim um importante modal para o setor de óleo e gás no país. De 2015 a 2019 o crescimento médio do setor foi de 2,4% ao ano, sobretudo impulsionado pelo crescimento no Nordeste e Sudeste.
A EPL vem elaborando algoritmos capazes de simular os melhores caminhos que a carga pode seguir, considerando variáveis como oferta, demanda, distância percorrida, o tempo, entre outros. Caso o modelo indique que o melhor percurso é pela cabotagem, será proposta a migração da carga para este modal. A empresa afirmou que isso já vem acontecendo com o arroz que sai do Rio Grande do Sul para o Ceará. Dessa forma, o PNL poderá fomentar novas rotas para o setor da cabotagem.
No longo curso, os granéis sólidos são responsáveis por 81,9% da movimentação, seguido de carga conteinerizada com 8,5%. A perspectiva de crescimento médio, naquele mesmo período foi de 1,8% ao ano. No Norte do país, essa média de crescimento foi de 10,2%, impulsionado principalmente pela exportação de minério de ferro pelo Porto de Itaqui (MA).
O transporte hidroviário transporta principalmente granéis sólidos, o que corresponde a 62,8% da movimentação. O crescimento médio do setor, entre 2015 e 2019 foi de 13,9% ao ano. Enquanto na região Norte o crescimento neste período foi de 17,4% ao ano, no Sudeste houve queda de 24,1%. Segundo a EPL, essa queda expressiva ocorreu em razão das impedâncias presentes na hidrovia Tietê-Paraná.
Fonte: Revista Portos e Navios