O Cade aprovou sem restrições a fusão entre a GE e a Baker Hughes. A transação foi anunciada em outubro de 2016 e prevê que a GE terá 62.5% da nova companhia, enquanto os acionistas da Baker Hughes terão os 37.5% restantes.
Na análise sobre a combinação dos negócios das companhias, o Cade reconheceu que a fusão poderia gerar sobreposição horizontal nos mercados nacionais de elevação artificial, produtos químicos e, potencialmente, em ferramentas wireline. O órgão também observou relação vertical entre a produção de ferramentas para wireline da GE e a oferta de serviços wireline pela Baker.
No entanto, as companhias argumentaram que a fusão não será relevante para os produtos e serviços que não são ofertados por ambas no Brasil. Os pareceres de companhias como Total, Sonangol e Statoil também ajudaram na aprovação, pois destacaram que é possível contratar wireline para poços abertos e revestidos de forma conjunta.
“Wireline para poços fechados e para poços abertos são geralmente considerados como um único serviço genérico, pois gera ganhos e sinergias. Isso permite o uso de uma única unidade para ser trazida e instalada no local da perfuração, explicou a Total ao opinar sobre a fusão.
Além disto, GE e Baker Hughes também irão se desfazer de alguns segmentos, como é o caso da GE Water, o que eliminaria a sobreposição global em produtos químicos, apesar do desinvestimento não ter sido levado em consideração para a análise do Cade. A expectativa é que a venda ocorra ainda no primeiro trimestre de 207.
No momento, a fusão ainda está em análise pelo Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos, que pediu informações adicionais para concluir o parecer. Juntas, GE e Baker Hughes poderão receber mais da metade dos investimentos destinados a projetos de desenvolvimento em águas profundas após a conclusão da fusão.
A estimativa das empresas é que possam fechar contratos responsáveis por até 55% do total investido em um projeto, já que poderão ser responsáveis pelos topsides e processamento, além de prestar serviços de poço, subsea e SURF. Ao todo, a GE Oil & Gas contribuirá para a operação com ativos no valor de US$ 28,5 bilhões, enquanto a Baker contribuirá com US$ 23,4 bilhões em ativos.
A previsão ainda é que a transação seja concluída até meados de 2017, sendo que ainda passará também pelo aval dos acionistas de ambas as empresas.