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Clippings - 20/05/24

Cade publica edital que prevê a venda dos campos Cherne e Bagre

A operação também poderá incluir dois reservatórios de petróleo e parte de um terceiro reservatório, todos fronteiriços ao campo de Namorado, caso a Petrobras e a Perenco consigam autorização da ANP

O Cade publicou, no Diário Oficial da União (DOU) de quinta-feira (16), o edital que prevê a aquisição, pela Perenco, dos campos de Cherne (100%) e Bagre (100%), localizados em águas rasas da Bacia de Campos e atualmente operados pela Petrobras.

No entanto, a operação também poderá incluir os reservatórios de petróleo EN 20-RJS34 e EN 30-RJS25 e, potencialmente, parte do reservatório NA-RJS19, todos fronteiriços ao campo de Namorado, que também está localizado (e hibernado, igual Cherne e Bagre) na Bacia de Campos.

De acordo com o documento enviado pelas companhias ao Cade, a Petrobras descobriu a existência dos reservatórios EN 20-RJS34 e EN 30-RJS25 durante a perfuração do poço 4-BRSA-301DP-RJS no contrato referente ao campo de Bagre, na região fronteiriça ao campo de Namorado. 

Já o reservatório NA-RJS19 possui interface com os dois reservatórios citados anteriormente. Desta forma, apesar desses ativos não integrarem inicialmente o perímetro da operação proposta, a Perenco e a Petrobras pretendem, por meio de uma cessão parcial, obter autorização da ANP para, alternativamente:

(i) celebrar um Acordo de Individualização da Produção (AIP), com o objetivo de conceder a alocação da produção das duas jazidas compartilhadas integralmente para o campo de Cherne, de maneira que a Perenco seja exclusivamente detentora dos direitos e obrigações resultantes da produção destes reservatórios; ou

(ii) obter a cessão parcial do contrato de concessão do campo de Namorado para a Perenco, visando modificar a atual área de concessão de modo a incluir integralmente os reservatórios EN20-RJS34, EN30-RJS25 e uma parte do reservatório NA-RJS19, que serão retiradas de parte da área de concessão do campo de Namorado e transferidos para o campo de Cherne ou desmembrados em um novo contrato de concessão. 

“Como resultado, os reservatórios EN20-RJS34, EN30-RJS25 e parte do reservatório NA-RJS19 ou a respectiva produção dos mesmos e, consequentemente, a potencial e futura produção de petróleo e gás extraídos desses reservatórios atualmente pertencentes à Petrobras também integrariam o perímetro da operação proposta”, afirmam as companhias no documento enviado ao Cade.

Fonte das imagens: Cade

Como justificativa para a aprovação da operação pelo Conselho, a Petrobras e a Perenco afirmam que o market share da Perenco “situa-se muito abaixo de 20%”, e que uma potencial sobreposição futura decorrente da transação “gerará potencial incremento ínfimo de market share, considerando as características dos campos adquiridos [campos maduros, que já ultrapassaram seu pico de produção]”, entre outros motivos elencados. 

“Por fim, vale mencionar o fato de a operação proposta ser absolutamente pró-competitiva, na medida em que viabilizará a substituição da líder Petrobras na concessão e a reativação da operação de dois campos da Bacia de Campos que se encontram inoperantes há mais de quatro anos e já em fase de abandono”, concluem as companhias no documento. 

A operação está sujeita, também, ao aval da ANP. O contrato entre Petrobras e Perenco, assinado em abril deste ano, foi avaliado em US$ 10 milhões, sendo US$ 1 milhão pagos no dia do fechamento do contrato e o restante no fechamento da transação, sujeito aos ajustes previstos no acordo. 

Após a conclusão da transação, prevista para 2025, a Perenco afirma que implementará um “ambicioso plano de redesenvolvimento para revitalizar os ativos, reiniciar a produção com uma meta de 10 mil bpd a 15 mil bpd e desbloquear mais de 50 milhões de barris em reservas”, segundo comunicado divulgado pela companhia. 

O plano da Perenco contempla a construção de um novo gasoduto de exportação com destino a Pargo (campo que faz parte do Polo Pargo, adquirido pela Perenco do plano de desinvestimentos da Petrobras em novembro de 2018), com o objetivo de aproveitar a infraestrutura do FSO Pargo (que encontrou em operação no final de 2023), melhorar a eficiência e dar continuidade à estratégia da Perenco de ganhar independência na Bacia de Campos.  

Os ativos

Os campos de Cherne e Bagre faziam parte do Polo Garoupa, conjunto de 11 campos que foi colocado em desinvestimento pela Petrobras em agosto de 2019Em março de 2020, a Petrobras anunciou que iria hibernar os ativos do Polo Garoupa a fim de segurar a produção em meio à crise de Covid-19. Desde então, o polo está sem produzir.  

Em maio de 2022, foi iniciado junto à ANP o processo para devolução das concessões de Cherne e Bagre, tendo a Petrobras iniciado o planejamento para o descomissionamento das instalações de produção associadas a esses campos. 

Os campos de Cherne e Bagre estão situados na Bacia de Campos, a 73 km da costa do estado do Rio de Janeiro, em lâmina d’água que varia de 108 a 150 m. Os campos começaram a produzir em 1983 e 1984, respectivamente, e possuem como fluido principal o óleo. 

O campo de Cherne possui duas unidades de produção: a Plataforma de Cherne 1 (PCH-1) e Plataforma de Cherne 2 (PCH-2), sendo que a PCH-1 também recebe a produção de Bagre. A transação compreende as duas plataformas fixas.

No Brasil, a Perenco opera o Polo Pargo, também localizado em águas rasas na Bacia de Campos e formado pelos campos Pargo, Carapeba e Vermelho, que abrigam oito plataformas fixas: PPG-1A/B (geminadas), no campo de Pargo; PCP-1/3 (geminadas) e PCP-2, no campo de Carapeba; e PVM-1, PVM-2 e PVM-3, no campo de Vermelho. 

Fonte: Revista Brasil Energia