A Caixa colocou à disposição do setor do transporte aéreo recursos que podem somar R$ 15 bilhões para financiar investimentos em infraestrutura aeroportuária. O objetivo do banco estatal é atender a demanda para a abertura de novos terminais voltados para a aviação executiva no país.
Os recursos serão disponibilizados por meio de dois instrumentos – do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Integração Logística, que vai fazer aportes de capital, ou seja, por meio de participação acionária; e do Fundo de Investimento FGTS (FI-FGTS), que vai permitir alavancagem de dívida.
“Temos pressa em aumentar a oferta de ’sites’ para helicópteros e para a aviação executiva, especialmente em lugares como interior de São Paulo, Mato Grosso, áreas do Pré-sal. Esses recursos vão viabilizar projetos”, afirmou o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco.
A maior parte dos recursos que a Caixa vai disponibilizar sairá do FI-FGTS, que pode chegar até o valor de R$ 14 bilhões. O regulamento dessa carteira voltada para infraestrutura permite aplicar até 40% do patrimônio líquido, que pode chegar a R$ 40 bilhões, em projetos aeroportuários.
“Hoje, temos R$ 10 bilhões nesse fundo. Mas podemos aplicar todo esse valor já em aeroportos porque o limite do fundo nos permite alocar até R$ 14 bilhões nesse segmento”, disse o superintendente nacional de fundos de investimento especiais da Caixa, Cássio de Jesus da Caixa a jornalistas, após evento ontem, quando o banco lançou o plano.
O superintendente da Caixa disse que esse fundo deve buscar empreendimentos que tenham uma Taxa Interna de Retorno (TIR) da ordem de dois dígitos, pelo menos. “Como o FI-FGTS tem que remunerar o cotista com um mínimo de TR mais 6,5% ao ano, a taxa de retorno para compensar a aplicação para o cotista tem que chegar a dois dígitos”.
Além do FI-FGTS, a Caixa também anunciou o FIP Integração Logística, que tem um patrimônio de R$ 1,04 bilhão. Essa carteira vai financiar aeroportos por meio de participação em capital.
O FIP Integração Logística é composto por dez cotistas, todos investidores institucionais. Para esses aplicadores, o horizonte de retorno do investimento será de sete anos. A captação da carteira ainda está aberta e pode receber recursos de investidores estrangeiros, informou a Caixa.
Moreira Franco apontou que o benefício que a Caixa vai propiciar aos empreendedores envolvidos nos projetos aeroportuários vai além da oferta de recursos. “Eles [os empreendedores] terão uma consultoria financeira que ainda não têm hoje porque não são clientes interessantes para os grandes bancos”, disse.
O ministro não soube precisar quantos projetos poderão ser beneficiados pelos recursos disponibilizados pela Caixa. Segundo ele, o número de investimentos viabilizados vai depender da demanda que for gerada no país.
“Vamos ampliar a oferta de recursos para empreendedores de menor porte”, disse Moreira Franco. “Da mesma forma que os aviões comerciais precisam de aeroportos, os helicópteros e os jatinhos também precisam pousar. E não podem estacionar em shopping centers. Esses recursos vão permitir a realização de investimentos”.