A Divisão de Engenharia e Construção do grupo Camargo Corrêa percebe que as operações voltadas à implantação de hidroelétricas tomam cada vez mais corpo no portfólio da empresa. Dentro da divisão, na unidade de construção, as obras ligadas ao setor de geração de energia representam uma fatia de quase 50% nos negócios, ficando à frente de segmentos como o de transportes e saneamento – a projeção é de que a atividade em questão cresça 25% na companhia em 2009.
Responsável por erguer atualmente sete hidroelétricas do País, a Camargo Corrêa vê nos próximos anos oportunidades para concorrer a mais obras desse porte. O País construirá novas unidades para dar conta de seu desenvolvimento, e temos interesse em participar destes processos, disse o engenheiro Luiz Carlos Martins, superintendente de obras da Camargo Corrêa.
O engenheiro refere-se a hidroelétricas que estão nos planos do governo para que saiam do papel, o que deve gerar novas licitações nesses próximos meses, como as das regiões de Itapiranga (SC), Marabá (PA), São Luiz dos Tapajós (PA) e Teles Pires (MT). Entre as sete usinas que têm a participação da Camargo Corrêa em sua construção, estão as de Chapecó e Salto do Pilão, em Santa Catarina, a da Serra do Facão e a da Batalha, ambas em Goiás, e ainda o Complexo Energético Rio das Antas (Ceram), no Rio Grande do Sul.
Planejamento
Ainda que alguns projetos demorem a deslanchar, como o caso da hidroelétrica de Belo Monte (PA) – a construção desta usina está avaliada em cerca de US$ 10 bilhões -, o planejamento e a construção de hidroelétricas tornou-se filão para as companhias especializadas em obras pesadas, principalmente depois do governo incluir várias entre as prioridades do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Grupos de empresas nacionais e estrangeiras estão de olho no gordo projeto, no aguardo da divulgação das regras da concorrência pelo governo. Entre estas corporações inclui-se a Camargo Corrêa. Estamos atentos ao andamento desse projeto, contou o executivo da Camargo.
De acordo com João Batista Gribel, que integra a diretoria de construção da Furnas, do grupo de estatais do sistema Eletrobrás, o segmento de geração de energia deve crescer dentro de uma média de 5% nos próximos anos. É um setor que que tem um grande plano de avanço, falou.
A Camargo Corrêa, que participou da construção de 26 hidroelétricas do País, o que corresponde a cerca de 50% das instalações nacionais, vê com atenção essa demanda. Essas usinas geram aproximadamente 37,5 mil megawatts de energia. Entre as obras, estão empreendimentos como Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, Tucuruí (PA) e Ilha Solteira (SP).
Não é só no Brasil que a área se tornou um bom negócio para a construtora. A empresa também atua em empreendimentos na África e na América do Sul (Colômbia e Venezuela). A empresa estima ser responsável por 7% da capacidade instalada nessa área, no mundo. Entre as obras ligadas ao segmento de infraestrutura brasileira da Camargo Corrêa, inclui-se a Ponte Rio-Niterói, o túnel sob o Rio Pinheiros, na capital paulista, as Rodovias Presidente Dutra, Castello Branco, Ayrton Senna e Imigrantes, além de aeroportos internacionais como o de Guarulhos e o de Manaus. A Divisão de Engenharia e Construção da Camargo Corrêa obteve uma receita de R$ 5,4 bilhões em 2008.
Sustentabilidade
A expansão, em ritmo acelerado, do conjunto de usinas hidroelétricas brasileiras poderia complicar a questão da preservação ambiental, uma vez que estes rios estão, em sua maioria, localizados em áreas de grande riqueza natural. Para sanar a questão, a Camargo Corrêa e a Furnas Centrais Elétricas desenvolveram, em parceria, um programa de recuperação de florestas e compensação ambiental – o plano é adicional às ações de preservação que já são obrigatórias na construção de hidroelétricas.
As empresas consideram a ação como a principal relacionada ao combate ao aquecimento global, em obras de infraestrutura. O plano inclui a produção e o plantio de espécies de árvores nativas, além da educação ambiental com o envolvimento das comunidades locais. O programa está em desenvolvimento nas usinas de Foz do Chapecó (SC), Serra do Facão e a da Batalha (GO) e foi o único brasileiro selecionado para o Congresso Mundial de Grandes Barragens, na França.
A obras da usina da Batalha também garantiram à Camargo Corrêa, a certificação NBR 16001, de responsabilidade social e sustentabilidade. De acordo com a companhia, ela é primeira do setor de construção civil a obter o selo. E Batalha lista outras três certificações.