A desvalorização do real frente ao dólar derrubou o lucro da Vale no segundo trimestre. A mineradora registrou ganho líquido de R$ 832 milhões no perãodo, com queda de 84% em relação a um ano antes e muito abaixo do consenso de mercado medido pelo Valor, que apontava para ganhos de R$ 4,2 bilhões no perãodo. A vilí do perãodo foi a variação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira, que tirou R$ 4,1 bilhões do balanço. Além disso, houve uma perda financeira de mais de R$ 1,7 bilhão por conta da marcação a mercado de swaps cambiais.
Se fosse desconsiderado o impacto do câmbio sobre a dívida e outros itens considerados não recorrentes, o lucro teria sido muito maior, de R$ 5,2 bilhões no segundo trimestre, com recuo de 28% na comparação anual, de acordo com a companhia.
Nesse ambiente, a companhia afirmou que avalia adotar a contabilidade de hedge nos mesmos moldes anunciados pela Petrobras, utilizando a dívida em moeda estrangeira para proteger as receitas de exportação em dólar. Com esse mecanismo contábil, parte da variação cambial sobre dívida fica guardada no patrimônio líquido até que a receita que serve como contrapartida seja faturada. De acordo com a Vale, se esse mecanismo tivesse sido adotado no segundo trimestre, o lucro passaria para R$ 6,9 bilhões.
Do lado operacional, as perdas foram menos agressivas. A receita líquida caiu 7% em relação a um ano antes, para R$ 22,9 bilhões, influenciada principalmente pela queda de 11,8% no preço do minério de ferro. A produção da commodity também caiu, 9,1%, para 73,2 milhões, por conta das chuvas que atingiram a região de Carajás.
A boa notícia foi que a empresa conseguiu manter o ritmo de corte de despesas verificadas no primeiro trimestre. Os gastos com vendas, gerais e administrativos caíram 37%, para R$ 2,5 bilhões, compensando em parte o recuo de 4 pontos percentuais na margem bruta. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em R$ 9,84 bilhões, 3,3% menor do que no mesmo perãodo de 2012.
O diretor-executivo de finanças da Vale, Luciano Siani, disse que o câmbio teve efeito pequeno nos custos e despesas, mas forte impacto na dívida da companhia, denominada em grande parte em dólares. O caixa da companhia se beneficia pelo câmbio desvalorizado, afirmou.