A Petrobras já acumula uma desvalorização no valor de campos em produção da ordem de R$ 11,5 bilhões, devido ao declínio do preço do Brent e da perda de outras premissas, como a taxa de câmbio. Apenas no terceiro trimestre deste ano, o ajuste no valor dos campos foi de R$ 5,6 bilhões, de uma baixa total de R$ 15,7 bilhões.
Tal impairment, combinado com provisões de despesas, gerou um prejuízo de R$ 16,5 bilhões no trimestre. Não fosse o ajuste, a Petrobras teria registrado um lucro da ordem de R$ 600 milhões.
“Em setembro de 2016, a Companhia realizou teste de impairment, cujo resultado foi impactado pela apreciação do real, por aumento na taxa de desconto, pela revisão de conjunto de premissas, tais como preço de Brent e taxa de câmbio de longo prazo”, informou a Petrobras.
De acordo com a diretora de E&P da Petrobras, Solange Guedes, o ajuste no valor dos campos não foi concentrado em um ativo específico. “Não houve um caso particular. Foi espalhado. Se tivesse que citar, foram ativos maduros de águas rasas, mas não houve concentração específica”, afirmou a executiva.
Além da baixa de R$ 5,6 bilhões sobre o valor recuperável dos campos, o E&P também gerou um impairment de R$ 2,7 bilhões relativo ao que a Petrobras chama de “equipamentos de E&P”.
Neste terceiro trimestre está associado principalmente ao cancelamento da entrada em operação das plataformas próprias P-71, P-72 e P-73, que saíram do plano da Petrobras nas revisões promovidas entre 2016 e 2016.
Além disso, Solange Guedes informou que há valores relacionados ao hibernamento de sondas próprias.
Nos outros segmentos, os principais ativos com valor reduzido foram a Rnest, em R$ 2,5 bilhões devido a postergação do segundo trem para 2023 e o câmbio, e o Complexo Petroquímico de Suape, em R$ 2 bilhões, também por efeito do câmbio e pela redução do mercado para resinas.
“Nunca posso dizer que não haverá novos impairments. Mas a companhia não espera, com a informações que tem até agora, que ocorra um processo de imparidade nesses montantes”, afirmou o diretor Financeiro, Ivan Monteiro.