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Clippings - 03/02/14

Capacidade do transporte aéreo para a Copa é colocada em dúvida

São PAULO – Entre as preocupações que se acumulam quanto à preparação do Brasil para a Copa do Mundo, em junho, está o transporte aéreo. Executivos do setor dizem haver um risco crescente de que os aeroportos do país e as companhias aéreas não estejam à altura da tarefa de movimentar suavemente milhares de pessoas entre as 12 cidades que sediarão os jogos, em um território tão grande quanto a área continental dos Estados Unidos.

“Qualquer um que te diga que não haverá problemas está mentindo”, diz José Efromovich, executivo-chefe da Avianca. Quando o Brasil jogar contra o México em Fortaleza, por exemplo, ele diz que 100 aviões precisarão voar para a partir da cidade no mesmo dia. “Não há espaço no aeroporto nem para a metade desses aviões”, diz Efromovich.

O investimento nos aeroportos brasileiros não tem conseguido acompanhar o ritmo de crescimento do país. O tráfego dobrou ao longo dos últimos cinco anos – embora o ritmo de setor tenha desacelerado em 2013. O Brasil tem o terceiro maior mercado aéreo doméstico do mundo, mas os passageiros avaliaram o país apenas como o 131º em termos de qualidade de infraestrutura, de acordo com estudo de 2013 do Fórum Econômico Mundial.

Marcelo Guaranys, presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), diz que a contínua expansão e modernização dos aeroportos do país fornecerá capacidade suficiente para atender a demanda. “Todas as mudanças estão relacionadas à capacidade dos aeroportos, incluindo o trabalho de expansão que deverá estar pronto para a Copa do Mundo”, disse ele.

Ainda assim, executivos da indústria insistem que o número estimado de 600 mil torcedores estrangeiros que desembarcarão no Brasil para o evento, que será realizado entre 12 de junho e 13 de julho, pressionará os aeroportos e as companhias aéreas do país.

Para tentar atender a demanda esperada, as principais companhias aéreas brasileiras – TAM, Gol e Azul – procuraram e obtiveram permissão da Anac, no mês passado, para aumentar em quase 2 mil o número de voos durante o torneio de futebol.

Carlos Ebner, diretor da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) no Brasil, diz estar preocupado com a possibilidade de a infraestrutura aeroportuária não acompanhar a demanda.

Um estudo realizado em 2010 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostrou que metade dos 20 maiores aeroportos do Brasil não pode lidar com qualquer quantidade adicional de voos, devido aos limites de espaço para passageiros nos terminais e para o estacionamento de aeronaves. Um programa de investimento de US$ 2,7 bilhões, destinado a reduzir esse déficit a tempo da Copa do Mundo, concluiu menos da metade das obras, informou em novembro a Infraero.

O aeroporto de Fortaleza, por exemplo, já anunciou que não conseguirá concluir seus planos de expansão a tempo e que utilizará um terminal de lona improvisado. O aeroporto de Cuiabá pode ser problemático para os viajantes da Copa, segundo Carlos Ozores, diretor da empresa de consultoria ICF, que aconselhou os concorrentes nas recentes privatizações de aeroportos. Criado há 50 anos com capacidade para 2,5 milhões de passageiros por ano, mais de 2,8 milhões passaram por suas portas no ano passado.

As obras para dobrar a capacidade aeroportuária de Cuiabá, que estavam programadas para serem concluídas um ano atrás, agora são esperadas para um mês antes da Copa, diz a Infraero. O “plano B” do governo é cobrir o terminal com uma lona.

As autoridades brasileiras tentaram acelerar o processo de modernização em 2012, ao privatizar os principais aeroportos do país. Mas os analistas dizem que o movimento veio tarde demais para que esses aeroportos vejam qualquer benefício antes do fim da competição.

E o Brasil não tem opções de transporte alternativo, como trens ou um serviço de ônibus de confiança – portanto, o serviço aéreo é “o único verdadeiro elo entre os locais”, diz Ozores.

Enquanto isso, as próprias companhias aéreas deverão ter problemas para administrar o aumento da demanda. Como Gol e TAM competiram firmemente por fatias de mercado nos últimos anos, as duas maiores companhias aéreas do país em volume de passageiros acrescentaram voos a um ritmo mais rápido do que a demanda poderia absorver. Depois de perderem centenas de milhões de dólares, elas economizaram cortando voos e eliminando serviços.

Em 2012, mais de um em cada dez voos no Brasil foi adiado por 30 minutos ou mais e 7,5 % dos voos foram cancelados, segundo a Anac. A rota mais movimentada do país, entre o Rio e São Paulo, teve a maior taxa de cancelamentos, com um em cada oito voos regulares não tendo decolando, segundo o órgão regulador da aviação.

Mesmo com serviço irregular, o setor, no Brasil, tem um dos mais altos preços de passagens aéreas em todo o mundo. Pelo mesmo preço que um brasileiro normalmente paga para voar 250 milhas entre as duas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, um passageiro americano pode voar 2.500 milhas de Nova York a Los Angeles.