O gigantismo da operação de capitalização da Petrobras assustou o mercado. Se os números forem confirmados, promete ser a maior já feita no mundo e movimentar aproximadamente R$ 150 bilhões, um terço do atual valor da empresa em bolsa de valores. Todos admitem que se trata de um negócio importante porque a Petrobras tem urgência em aumentar o capital, para ampliar a capacidade de endividamento e conseguir financiamento a juros mais baixos.
No entanto, ainda há dúvidas quanto ao tamanho exato da operação e quanto ao preço a ser apurado pelo barril de petróleo que vai integrar o processo de cessão onerosa. Suspeita-se também que a capitalização da Petrobras poderá atrair potenciais investidores e atrapalhar a oferta de ações do Banco do Brasil, cujo preço será fixado no próximo dia 29.
No modelo de cessão onerosa, o governo cederá à Petrobras um valor equivalente a 5 bilhões de barris para que a estatal faça a exploração da área do pré-sal na Bacia de Campos. A estimativa do economista chefe da Corretora Prosper, Eduardo Velho, é de que o preço do barril deve se situar entire US$ 5 a US$ 6, ou seja, neste caso, o equivalente a US$30 bilhões.
MINORIfÁRIOS. Eduardo Velho acredita que 50% deste valor, ou seja, US$ 15 bilhões, devem entrar por intermédio de investidores estrangeiros, quando a empresa concluir a oferta pública de ações. Isso pode puxar para cima o preço do dólar e acabar obrigando o Banco Central a fazer intervenções mais fortes de compra, disse ele.
Quanto aos acionistas minoritários, que compraram ações antes da descoberta do pré-sal. O consultor acha que a disputa será desigual. Já que a União entrará com barris de petróleo e não com dinheiro, eles terão que fazer um esforço financeiro e provavelmente não conseguirão disputar.