Curitiba – A Capitania dos Portos do Paraná anunciou ontem o aumento do calado para navegação em Paranaguá que passa de 11,30 metros para 12,5 metros. Com essa decisão fica revogada a Portaria nº 86 de setembro de 2008 que impôs restrições à navegação do Canal da Galheta e só permitia navios com calado máximo de 11,30 metros. O capitão dos Portos do Paraná, capitão-de-mar-e-guerra, Marcos Antonio Nóbrega Rios, disse que a medida foi tomada em função da finalização da dragagem de manutenção que terminou em julho.
O aumento do calado já tinha sido solicitado pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) porque a dragagem aumentou para 15 metros a profundidade do canal. Rios disse que antes de tomar a decisão foi realizada uma análise da batimetria com o auxílio da empresa Paranaguá Pilots. ’’Precisamos ter certeza que a dragagem foi precisa e adequada. O único motivo que fez diminuir o calado foi o assoreamento do canal’’, explicou. Mas, afirmou que não existe canal de navegação 100% perfeito.
Segundo ele, a maior preocupação da Marinha é a segurança da navegação. Rios está na Capitania dos Portos do Paraná desde janeiro. Em 19 de outubro, já tinha sido liberada a navegação noturna no Porto de Paranaguá.
O superintendente da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza, disse que o aumento do calado permite que os navios entrem e saiam com segurança e utilizem a capacidade máxima. Antes havia restrições de carga principalmente para os navios graneleiros e de fertilizantes. Ele destacou ainda que o frete fica mais caro quando o calado é menor.
Draga
As duas empresas que participam da concorrência internacional para a compra de uma draga para o Porto de Paranaguá são as tradings Global Connection (Londrina) e Interfabric (Curitiba).
A segunda fase da concorrência é a vistoria física das dragas que estão em estaleiros na China. Esse trabalho será realizado por uma sociedade classificadora de navios. Souza disse que, depois que for assinado o contrato, a empresa vencedora terá 60 dias para entregar a draga. A previsão dele é que a draga comece a operar só no segundo trimestre de 2010. Antes disso, será realizada a nacionalização do equipamento, a apresentação da documentação para a Marinha e o treinamento da tripulação.
As duas embarcações são chinesas e estão em Xangai e Lin Hai City. Na primeira etapa da concorrência foram avaliados os critérios técnicos das embarcações como calado, capacidade volumétrica e de bombeamento, autonomia em operação, entre outros pontos.
O ’’Projeto Draga do Paraná – Estudo de Viabilidade Econômica para a Aquisição’’ desenvolvido pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), mostrou que a draga teria que apresentar capacidade 5,5 mil m3 de cisterna, vida útil de 20 anos e capacidade de dragagem diária de 22 mil m3.
O mesmo estudo apontou que o equipamento terá um custo anual de R$ 28,395 milhões para o governo do Estado, sendo R$ R$ 10,533 milhões com pessoal e R$ 2,798 milhões com manutenção. A draga teria ainda uma depreciação de 6% ao ano o que equivale a R$ 2,798 milhões anuais. O valor máximo que a entidade pretende pagar pelo equipamento é de US$ 24,6 milhões com o uso de recursos próprios.