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Clippings - 24/10/22

Carteira global de projetos demanda desenvolvimento célere da cadeia de eólicas

Arquivo/Divulgação

Empresas de energia veem avanços na regulamentação brasileira, mas já identificam dificuldades no mercado mundial para garantir desde componentes e equipamentos a embarcações de suporte às instalações de parques geradores no mar

Multinacionais da área de energia avaliam que as metas ambiciosas de redução de emissões nos próximos anos e o pipeline de projetos de fontes renováveis no mundo pressionam cada vez mais o desenvolvimento das cadeias de fornecimento. No caso dos parques eólicos offshore, as empresas já vêm dificuldades para garantir desde componentes e equipamentos a embarcações de suporte às instalações. Por conta da cadeia mundial de suprimentos estar limitada, a expectativa é que o Brasil continue a avançar no marco regulatório, a fim de garantir segurança jurídica e a cessão do uso de áreas para esse tipo de projeto em 2023.

A gerente sênior de desenvolvimento de negócios de eólicas offshore da TotalEnergies no Brasil, Fernanda Scoponi, avalia que a maturação da regulamentação da atividade no Brasil e a cessão do uso de área no ano que vem ajudarão as empresas a conduzirem seus projetos. “Para hoje, já não se tem embarcação, talvez não tenha fabricação de turbinas para os próximos projetos. Mais tempo demora para dar esse passo, mais impacto no nosso mercado”, comentou Fernanda, na última quinta-feira (20), durante o painel ‘Eólica offshore no Brasil: cenário, cooperação internacional e perspectivas de desenvolvimento’, no evento Brazil Wind Power, em São Paulo (SP).

Fernanda citou os Estados Unidos como um dos países que vêm fortes no desenvolvimento de projetos de parques eólicos offshore. Ela vê o mercado eólico com custos ainda altos, apesar de ser a opção com maior redução de custos entre todas as fontes atualmente. A executiva acrescentou que o contexto geopolítico mundial e as mudanças climáticas fazem com que esse processo seja mais acelerado.

A executiva disse que a empresa tem um pipeline de desenvolvimento de 9 gigawatts (GW) no Brasil, por meio de três projetos, com capacidade de 3 GW cada, protocolados no Ibama. Ela relatou que a TotalEnergies vem avançando em estudos de viabilidade regulatória, estudos ambientais e na análise das regras para a construção de eólicas no mar. O próximo passo, segundo Fernanda, será em relação à consolidação da regulamentação, garantindo segurança jurídica para atrair investimentos ao país. Além do Brasil, a empresa enxerga oportunidades acontecendo no Uruguai, Colômbia e Austrália.

A empresa tem em carteira 12 GW em diferentes mercados no mundo. O maior portfólio está no Reino Unido, com cinco projetos. Segundo Fernanda, este país já possui o mercado regulado e um ambiente amadurecido para investimentos. A TotalEnergies também desenvolve dois projetos na Ásia — um flutuante e um fixo, além de ativos nos EUA. A meta da empresa é alcançar 100 GW de capacidade instalada em renováveis até 2030, com papel relevante da eólica offshore, chegando à neutralidade de carbono em 2050.

No mesmo painel, o diretor de eólicas offshore Brasil e América Latina da Equinor, André Leite, acrescentou que o planejamento espacial marítimo é importante para as empresas se posicionarem, evitando problemas no tráfego de embarcações, além de dar segurança a investimentos e visão de longo prazo para os players. Para Leite, o apetite do consumo interno dependerá muito do apetite do Brasil de virar exportador de commodities em energias limpas.

Ele disse que os investidores devem continuar a apostar numa diversificação dos portfólios, de forma a permitir a flexibilidade de oferecer tecnologias de diferentes naturezas. O executivo também considera importante olhar as vocações regionais dos projetos no Brasil. Numa análise preliminar, ele identifica a vocação de exportação de energia na região Nordeste, bem como a maior proximidade do centro de carga para projetos do Sudeste, e o Sul do país podendo assumir uma vocação mais industrial. “Esses elementos precisam ser colocados no planejamento de como o Brasil vai se posicionar”, analisou.

Fonte: Revista Portos e Navios