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Clippings - 18/07/13

Casco da 1ª sonda do pré-sal vai ao mar hoje

Ferraz, da Sete Brasil: É preciso entender que é uma indústria complexa e é preciso tempo e processos
adequados para transferir esta tecnologia. É como uma maratona.

Em meio às expectativas do leilão da área de Libra, a primeira sonda de exploração do pré-sal, encomendada
pela Petrobras para Sete Brasil, começa a ganhar forma hoje, quando seu casco sai do dique seco do estaleiro Jurong em Cingapura e será lançado ao mar.

O casco começará lá mesmo a receber os primeiros
componentes e pinturas e deve chegar ao Brasil em janeiro de 2014, quando será finalizado no estaleiro
Jurong Aracruz, no Espírito Santo, atualmente em construção.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, João Carlos Ferraz, presidente da Sete Brasil, explica que em janeiro do
próximo ano também está prevista a conclusão das obras do cais de acabamento e do enrocamento
(proteção) do estaleiro, que estava previsto inicialmente para ser concluído em novembro deste ano.

Esse cais é essencial para receber o casco e, segundo o executivo, permitirá que a sonda seja concluída, mesmo
que outras áreas do estaleiro não estejam prontas na ocasião.

– A construção do cais de acabamento está atrasada. Quando o Jurong participou do projeto do estaleiro no
Brasil, ele estava planejando os mesmos custos que teria em Cingapura, mas foram muito maiores. Por isso,
teve de se fazer mais negociações – diz Ferraz.

Mas o executivo destaca que, apesar do atraso, a primeira sonda será entregue à Petrobras conforme o
planejado, em 2015, e será respeitado o conteúdo local do contrato. Para essa primeira sonda, o conteúdo
local será de 59%, maior que os 55% fixados em contrato.

O percentual maior foi feito para a empresa ter uma margem, caso ocorresse algum atraso durante a
construção, que pudesse colocar em risco o índice mínimo. Nas próximas, o conteúdo será maior, chegando a 65%, nas últimas.

O executivo afirma que, além da retomada da indústria naval, a construção dessas sondas requer tecnologias
complexas, e leva tempo para que sejam absorvidas.

– É preciso entender que é uma indústria complexa e é preciso tempo e processos adequados para transferir
essa tecnologia. Esse empreendimento (construção das sondas) é como uma corrida de maratona, não como
uma corrida de 100 metros rasos.

Ao todo, a Sete Brasil está construindo 29 sondas, sendo 28 para a Petrobras e uma para ser afretada ao
mercado. A encomenda foi feita em cinco estaleiros: Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco; Brasfel,
no Rio de Janeiro; Rio Grande, no Rio Grande do Sul; Paraguaçu, na Bahia; e Jurong Aracruz, no Espírito
Santo (os dois últimos ainda em construção.

O total de investimentos previstos é de US$ 25 bilhões. Já foram gastos US$ 3,3 bilhões. Apesar de as obras
estarem a pleno vapor, o BNDES ainda não liberou recursos.

Por isso, a Sete Brasil vem recorrendo a empréstimos de curto prazo. A companhia já fez dois com bancos
nacionais no total de US$ 2,2 bilhões. Está previsto um terceiro em agosto no valor de US$1,1 bilhão e mais
um em setembro, de US$ 900 milhões.

O primeiro desembolso do BNDES deve ser sair até março de 2014 e será entre US$ 4 bilhões e US$ 5
bilhões, para as sondas que serão entregues entre 2015 e 2016. O segundo, no valor de US$ 5,5 bilhões,
será liberado no fim de 2014. A terceira parte,de US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões, será destinada às sondas
restantes.