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Clippings - 04/02/14

CCR planeja disputa pela Ponte e avalia mais negócios

O grupo CCR planeja disputar a nova licitação da Ponte Rio-Niterói. O novo leilão acontecerá devido à demora do governo em firmar aditivos contratuais com a companhia, que chegou à conclusão de que esses investimentos não são mais viáveis, segundo informaram fontes ao Valor.

A companhia negociava há cinco anos adicionar obras não previstas no contrato original, como um novo acesso à Linha Vermelha e o chamado Mergulhão de Niterói (túnel abaixo das ruas da cidade). O valor dos novos investimentos seria de aproximadamente R$ 300 milhões. Em troca, a CCR teria um reequilíbrio econômico-financeiro de seu contrato.

O mecanismo acordado com o Planalto foi o seguinte: o governo contaria com uma cláusula para bancar as obras por meio dos cofres públicos. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou ao Valor em novembro que optou por essa medida. Caso o governo não fizesse o pagamento até o último dia de concessão, o prazo seria automaticamente estendido, conforme já noticiou o Valor. Era uma garantia à empresa, que assim ficaria livre do risco de o governo dar um eventual calote.

O Palácio do Planalto aceitou a ideia há pouco mais de dois meses. Mas ainda havia uma série de detalhes a discutir, como diferentes cláusulas para a definição da modelagem dos aditivos – que acabaram nunca sendo assinados. As condições macroeconômicas pioraram e o prazo para os investimentos, em 20 meses, não cabia mais dentro do contrato original. Diante disso, a CCR decidiu comunicar ao governo em dezembro que não queria mais o aditivo. O governo, então, colocou a Ponte na lista de novas concessões.

O ministro dos Transportes, César Borges, anunciou que o leilão da Ponte ocorrerá em 2014, embora no setor esse prazo seja visto com ceticismo. A nova concessionária – seja a CCR ou outro grupo – assumirá depois do término do contrato atual, que vai até maio do ano que vem.

A companhia também vai pedir reembolso por investimentos não amortizados na Ponte, mas o cálculo ainda não foi feito.

Enquanto isso, a companhia continua negociando outros aditivos com o governo federal – como os R$ 3 bilhões na rodovia Presidente Dutra, que permanece sendo negociado sob o modelo do pagamento via cofres públicos ou extensão contratual – e também analisa aquisições.

Também tem interesse no pacote anunciado pela presidente Dilma Rousseff na sexta-feira – mas não em todas as rodovias. Faz sentido para a companhia, além da Ponte, o lote das BRs 364 e 040, entre Rondonópolis e Goiânia.

Tudo indica que a empresa terá mais parcimônia na escolha de novos projetos em licitação, já que está próxima de seu limite de endividamento. O diretor de novos negócios da CCR, Leonardo Vianna, disse recentemente que a companhia poderia ter mais uma rodovia nova no portfólio antes de atingir níveis altos de alavancagem – o que significa uma dívida líquida entre 3 e 3,5 vezes sobre o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Mas que esse limite poderia subir caso assim decidisse o conselho de administração.

A companhia venceu no ano passado o leilão da BR-163 em trecho do Mato Grosso do Sul e o do aeroporto de Confins (MG). Neste último, a companhia deve aproveitar a perspectiva de investimentos do poder público (como em mobilidade urbana) e empresas na região de Belo Horizonte.

Também há a possibilidade de a CCR adicionar um novo aeroporto a seu portfólio, o chamado Novo Aeroporto de São Paulo (Nasp) – um projeto atualmente desenvolvido por dois de seus controladores, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Como os grupos não podem competir com a controlada, o projeto deve ser vendido para a CCR no futuro, mas ainda há detalhes pendentes para isso, como a regulamentação setor e a autorização do projeto.

Segundo fontes, a CCR também avalia internamente ampliar seu escopo de atuação para atuar em portos. A companhia hoje está impedida de atuar no setor porque seu estatuto social não prevê essa atividade. A CCR foi criada para atuar em rodovias e, aos poucos, foi entrando em novas áreas, como aeroportos. Além disso, seus controladores são atualmente interessados em operar diretamente na atividade, o que resultaria em conflito de interesses entre as companhias envolvidas.

Mas a CCR, que vem demonstrando interesse em concorrer por terminais portuários, pode discutir isso em seu conselho de administração e adicionar o escopo de atuação a seu estatuto social. Tudo ainda depende, no entanto, da decisão de seu conselho – ou seja, de seus acionistas. O controle da CCR inclui, além de Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, a Soares Penido. A empresa também tem interesse há tempos de atuar em serviços logísticos. Mas até agora não encontrou viabilidade na área.