O Governo do Ceará ainda espera atrair um estaleiro para o Estado. Um equipamento do tipo pode trazer mais de US$ 130 milhões em investimentos e gerar mais de 2,7 mil empregos, entre surgimento da estrutura e construção de navios. Os números e intenções foram divulgados pelo presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Francisco Zuza de Oliveira.
Em entrevista exclusiva que o PortoGente leva ao ar a partir de hoje, Zuza fala mais sobre a perda do estaleiro Promar para Pernambuco e aposta na capacidade de endividamento do Estado para acelerar as obras de infraestrutura. “O Governo do Estado possui um banco de dados com 4.714 projetos cadastrados e orçamento estimado em R$ 6,4 bilhões”. Ou seja, está sobrando dinheiro para transformar a economia do Ceará e a Adece faz planos com base nisso.
PortoGente – A perda do estaleiro da Promar para Pernambuco prejudica algum investimento?
Francisco Zuza de Oliveira – Nós não esperávamos perder o estaleiro da Promar, mas isso não atrapalhou a atração dos investimentos porque, dentre os novos empreendimentos previstos, não havia nenhum dependendo da vinda do estaleiro. Mas ele próprio era um investimento. No entanto, está havendo uma mobilização das diversas esferas de governo para a elaboração de um estudo de localização de um novo estaleiro. A Braspetro está elaborando esse estudo.
PortoGente – No que a atividade de um estaleiro pode mudar a economia cearense?
Zuza – Só vemos mudanças positivas na atração de um empreendimento do tipo, pois o volume de investimentos injetados somente na construção do estaleiro pode chegar a US$ 130 milhões, sendo gerados 1.200 empregos diretos na edificação e mais 1.500 na construção de navios. Mas o próprio presidente Lula garantiu que o Governo Federal trabalharia para viabilizar outro empreendimento do mesmo porte no Ceará.
PortoGente – Quais as principais vantagens que o Ceará oferece para uma empresa que deseja aportar no Estado?
Zuza – Além de localização geográfica e gestão fiscal equilibrada, o Ceará tem a melhor capacidade de endividamento dentre os estados do Nordeste. No momento, o total recebido via empréstimos gira em torno de R$ 4 bilhões, segundo o líder do governo na Câmara Estadual, Nelson Martins. Ele assegura que o Estado pode se endividar em até R$ 16 bilhões, o que significa que ainda pode-se contrair R$ 12 bilhões.
PortoGente – Ou seja, o Estado pode continuar obtendo financiamentos para tocar obras de infraestrutura.
Zuza – E falando em investimentos, o coordenador da Secretaria de Planejamento do Ceará, Carlos Sobreira, garantiu que o setor de transporte continuará sendo o foco de investimento. O Governo do Estado possui hoje um banco de dados com 4.714 projetos cadastrados e orçamento estimado em R$ 6,4 bilhões. Desses projetos, que devem ser executados em tempo superior à gestão do governador Cid Gomes, 1.439 já foram concluídos, 1.805 estão em execução e 500 estão em atividades preparatórias para serem iniciados.