A Chemtech entregará, até o final deste ano, um projeto para a Petrobras que irá automatizar processos submarinos em água rasa no entorno da P-47 (campo de Marlin, Macaé), onde as válvulas são operadas por mergulhadores. A novidade, denominada SHAR (Sistema Hidroacústico para Acionamentos Remotos), é a primeira de uma série de aplicações para a área submarina, iniciada por especialistas da Chemtech.
O sistema projetado controla, remotamente, válvulas por onda acústica, sem a necessidade de mergulhadores ou umbilicais. O objetivo é que o sistema sem cabos acione remotamente a abertura e fechamento de válvulas submarinas em manifolds.
A tecnologia escolhida já era usada anteriormente em outras aplicações, como monitoramento de risers e leitura de dados, mas nunca para atuação remota. Segundo Roberto Leite, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Chemtech, essa também é a primeira vez que a Petrobras utiliza esse sistema com a finalidade de comando em suas operações.
Sistema entra no portfólio da Chemtech
As vantagens do sistema para a estatal petrolífera estão no impacto operacional nas operações de acionamento de válvulas. Hoje, o uso de mergulhadores é necessário para operações em águas rasas e o uso de cabos submarinos é obrigatório para águas profundas, o que torna o processo caro, arriscado e demorado. “Para uma operação submarina, ainda que em águas rasas, o mergulhador precisa de um tempo de preparo antes e depois da operação, já que vai sofrer altas pressões no fundo do mar. No fundo do mar, é necessário usar longos cabos submarinos que são componentes muito caros e de difícil instalação”, explica Leite. Com as perspectivas de atuação no pré-sal, em águas profundas, a economia também é estratégica no custo de manutenção de um sistema submarino.
Segundo o executivo, os benefícios da utilização do SHAR não param por aí. “O sistema serve não apenas para abrir e fechar válvulas, mas o seu conceito pode ser usado para coleta de dados em tempo real, o que no pré-sal, por exemplo, terá uma grande demanda”, diz.
Com base nessas aplicações e na expertise adquirida com a produção do SHAR, a Chemtech incorporou um novo produto ao seu portfólio. É o CHT HMC (Hydroacoustic Monitoring and Control), um sistema que parte do mesmo princípio, para acionamento de válvulas manuais submarinas e de monitoramento de parâmetros operacionais e estruturais através de link hidroacústico. “A Chemtech tem esse perfil de desenvolver tecnologias com equipe multidisciplinar local, fornecendo sistemas inéditos no mercado brasileiro. Vamos continuar trilhando este caminho em nossas prospecções, mas sempre usando a experiência adquirida e o conhecimento desenvolvido e incentivado pelas nossas atividades de pesquisa e desenvolvimento”, completa o diretor da Chemtech.
Próximos passos
Após passar por diferentes etapas de testes em um laboratório do Cenpes (Rio de Janeiro), o SHAR segue para Testes de Aceitação de Fábrica (FAT), nessa primeira quinzena de dezembro.
Após o FAT, fase mais importante no projeto de EPC, a Chemtech estará presente na instalação, etapa também conhecida como comissionamento. A equipe da Chemtech estará a bordo para a instalação, momento em que o SHAR será testado, oficialmente, na plataforma em funcionamento, em um sistema instalado em lâmina d’água de 200m. Como as válvulas são fechadas duas vezes por mês para o lançamento dos pigs de limpeza nos dutos de coleta do óleo, a equipe terá tempo de realizar o comissionamento. A operação definitiva do sistema está prevista para o primeiro trimestre de 2014.
Durante seis meses, a Chemtech prestará suporte à operação do SHAR em operação na plataforma.