
Ao fechar um acordo para adquirir a Hess Corporation, a Chevron intensifica a tendência de consolidação e de grandes negócios, afirmou a Rystad Energy em análise divulgada na segunda-feira (23). Para a consultoria, a motivação e o impacto deste negócio são diferentes do realizado entre a ExxonMobil e a Pioneer.A aposta da Chevron é alta na futura produção da Guiana, especificamente no bloco Stabroek, no qual futuramente deterá 30% de participação – Exxonmobil é a operadora (45%) e a CNOOC detém o restante (25%). A companhia norte-americana terá acesso a mais de 3,4 bilhões de boe dos volumes vindos da Guiana, e, de acordo com a consultoria, a carteira da Guiana proporcionará à Chevron um impulso para os investimentos greenfield a serem sancionados e para o capex greenfield.No curto prazo, orçamento para sanções aumentaria de quase US$ 3,6 bilhões para mais de US$ 9 bilhões, enquanto o investimento anual em greenfields poderá aumentar de uma média de US$ 2 bilhões por ano entre 2024 e 2030 para US$ 4 bilhões.“À medida que os FPSOs começarem a produzir, a produção bruta da Chevron sofrerá um aumento substancial”, apontou a Rystad, que possui expectativa de crescimento nos volumes de petróleo bruto no que pertence à Hess na Guiana – de 120 mil bpd para mais de 360mil bpd em 2030 e para mais de 550 mil bpd em 2035. Além disso, na produção de 2024, haverá adição de 400 mil boed, nos quais 50% virão do tight oil em Bakken (EUA), 33% de ativos offshore em águas profundas na Guiana e no Golfo do México e os 18% restantes da plataforma offshore no sudeste da Ásia.“Estas adições, combinadas com um ano completo de produção proveniente da aquisição corporativa da PDC Energy, concluída em agosto, aumentarão a base de produção total da Chevron no próximo ano em aproximadamente 25% ano a ano, para 3,9 milhões de boepd”, explicou a Rystad no comunicado.Em relação à Bakken, na Dakota do Norte (EUA), será a primeira vez da Chevron na região. A Hess operou um programa de quatro plataformas durante a maior parte de 2023 em Bakken que, se continuado pela Chevron, deverá permitir que a produção de petróleo cresça cerca de 17%, para 122 mil bpd até ao final da década.No Golfo do México e no sudeste asiático, “dada a experiência da Chevron no [Golfo do México] GOM em águas profundas – e com a principal parceria Hess nos dois últimos projetos – podem ser esperadas mais sinergias operacionais e melhorias nos fortes ativos geradores de caixa”, segundo a Rystad. No primeiro, a produção líquida é de 160 mil bpd, enquanto no segundo é de 380 milhões de pés cúbicos por gás (MMcfd).Entre as 10 negociações feitas pela Chevron desde 2019, três se destacam com os maiores investimentos: Noble Energy em 2020, por US$ 5 bilhões; PDC Energy no início deste ano, por US$ 7,6 bilhões; e a Hess Corporation, por US$ 53 bilhões. A Chevron disse, após o anúncio do acordo, que espera aumentar as vendas dos ativos e gerar entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões em receitas até o final de 2028.