O dólar em alta, a sinalização negativa do banco central dos Estados Unidos e um dado decepcionante da economia chinesa derrubaram as principais commodities ontem, incluindo o petróleo e os metais não ferrosos. O minério de ferro, entretanto, que tem papel mais relevante na pauta de exportações brasileira, ficou praticamente estável. A commodity subiu 0,5% e foi negociada a US$ 120,60 por tonelada.
A produção chinesa de aço, que segue firme, ajudou a segurar o preço do minério ontem, em sua sexta sessão seguida de ganho. As expectativas de que a China possa reduzir o ritmo de operação de seus fornos – e também suas compras de matéria-prima – já contribuíram para que o minério caísse cerca de 30% desde a sua máxima do ano (de US$ 158,9 a tonelada, em fevereiro) até o início deste mês, para US$ 110,40 a tonelada.
Em junho, o minério inverteu a trajetória e vem se ajustando. Até ontem, a alta mensal era de 9%. Agora, analistas e empresas, em geral, esperam uma oscilação entre US$ 100 e US$ 120 a tonelada, o que depende muito do ritmo de redução da produção de aço na China. Assim como aconteceu no ano passado, quando o minério caiu para a casa dos U$ 86 a tonelada, o mundo espera um corte de volume de aço produzido no país. Ao mesmo tempo, as siderúrgicas vão consumir o minério que possuem em estoque, em vez de comprar no mercado.
Os números de maio, porém, não mostram sinais de redução de volumes na produção das siderúrgicas chinesas. Pelo contrário. O setor produziu 67 milhões de toneladas de aço bruto, aumento de 7,3% em relação a igual perãodo do ano passado e 12% acima do volume de abril de 2011. Os dados foram divulgados ontem pela World Steel Association (WSA).
Entre as demais commodities, o barril de petróleo WTI caiu 3,39% ontem, para US$ 95,14. A queda foi decorrente principalmente da sinalização do Federal Reserve de que irá reduzir seu programa de compras de ativos, o que significa menos estímulos à economia.
Os principais metais não ferrosos também caíram. Neste caso, pesou bastante a piora do dado PMI de manufatura da China, do HSBC. O país é o maior consumidor global de metais, com cerca de 40% da demanda. O dólar em alta também pesou. Ontem, a moeda americana subiu 0,43% em relação a uma cesta de moedas. Como os metais são negociados em dólares, ficam menos atrativos para os compradores que detêm outras moedas.