A demanda por minério de ferro deve continuar aquecida nos próximos anos mesmo com a desaceleração da economia chinesa, segundo estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O trabalho sustenta, com base na visão de executivos do setor no Brasil, que nos próximos cinco a dez anos haverá uma atividade econômica intensa na China que vai sustentar a demanda por minério de ferro nos patamares atuais. A compra do produto será garantida pela taxa de urbanização chinesa e pelos investimentos do país em infraestrutura, segundo os técnicos do banco.
O estudo do BNDES apresenta um cenário favorável para o minério de ferro na China a médio e longo prazos. A análise coincide com um momento em que o mercado tem dúvidas sobre o ritmo de crescimento da economia chinesa, a principal consumidora mundial da commodity. Apesar da volatilidade no curto prazo, ainda é esperada uma demanda significativa no longo prazo por minério de ferro graças ao crescimento econômico e à expansão da urbanização, especialmente na Índia e na China, diz trecho do estudo que é assinado por Pedro Sergio Landim de Carvalho, gerente do departamento de insumos básicos do BNDES. Outros três técnicos do banco assinam o trabalho com ele.
Eles reconhecem, porém, que a baixa expectativa em relação ao desempenho da siderurgia nos próximos anos faz com que as perspectivas do mercado de minério de ferro não sejam mais tão otimistas quanto eram na década passada. A previsão de crescimento do consumo de minério de ferro para o perãodo de 2012 a 2017 é de 21%, igual à previsão de crescimento da produção de aço, excluindo os fornos elétricos.
O estudo afirma que, mesmo com as incertezas de curto prazo, a demanda por commodities de mineração como minério de ferro, carvão e cobre, deve aumentar desde que as economias em rápido crescimento continuem a se desenvolver. Ao fim de 2011, pouco mais da metade da população [da China] residia em áreas urbanas. Espera-se que essa parcela continue a subir, elevando os gastos em infraestrutura, transporte, energia e bens duráveis, aumentando, assim, a demanda por commodities minerais, dizem os autores. Eles afirmam que a China aumentou as importações de minério de ferro em 22,2% ao ano ao longo da última década. O consumo chinês em 2013 chegou à casa de um bilhão de toneladas. (ver tabela ao lado).
O estudo afirma que, recentemente, a China superou a taxa nominal de 50% de urbanização. No entanto, o valor real é inferior, segundo os autores, uma vez que parte desse resultado contempla os trabalhadores temporários que residem nas áreas urbanas para a realização das obras de infraestrutura. Suas respectivas famílias ainda permanecem nas áreas rurais. Se considerada uma taxa de urbanização plena na casa de 70%-80% da população, dizem os técnicos, isso significará um movimento migratório de algumas décadas até se alcançar esse patamar. Por consequência, haverá um consumo sustentável de bens, como produtos com conteúdo de aço e, como resultado, de minério de ferro.
O trabalho reconhece ainda que os investimentos em infraestrutura na China não apresentarão a magnitude observada no passado recente. No entanto, ainda há atividade suficiente para a manutenção da demanda aquecida. Um exemplo disso são as atuais taxas de ocupação das ferrovias chinesas, que se encontram em níveis de utilização superiores aos de alguns países da Europa e Japão, o que leva a crer que o governo chinês terá de investir ainda mais em sua malha ferroviária para garantir o escoamento de produção, bem como o transporte da população.
O estudo também aponta para um consenso entre executivos do setor no Brasil em relação aos preços. Caso ocorra uma queda no preço do minério de ferro para o patamar de US$ 80-US$ 90 por tonelada, pequenos produtores chineses não conseguiriam manter a rentabilidade e cessariam a produção. Por consequência, a China dependeria do minério de ferro importado, aumentando a demanda e, por consequência, elevando novamente o patamar do preço. E conclui: A média das opiniões aponta hoje, sob as variáveis atualmente conhecidas, um patamar próximo a US$ 100 por tonelada nos próximos dois anos.