Por Camila Mala e Maria Luíza Filgueiras
A China General Nuclear Power Group (CGN) assinou um contrato para adquirir a Atlantic Energias Renováveis, da gestora britânica Actis, apurou o Valor com fontes com conhecimento direto da situação. Tradicional operadora de projetos de geração nuclear, a CGN também opera ativos de fonte renovável.
A Atlantic é um dos veículos voltados para energias renováveis da Actis no Brasil, um dos investimentos de um fundo de US$ 1,4 bilhão lançado em 2013 com duração de dez anos. A companhia tem 642 megawatts (MW) em potência instalada por meio de projetos eólicos nos estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Rio Grande do Sul.
A Atlantic tem 6o MW em operação por meio de dois parques no Rio Grande do Norte; 180 MW no Complexo Morrinhos, na Bahia; 207 MW no Complexo Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul; e 195 MW no Complexo Lagoa do Barro, no Piauí.
O contrato de venda foi assinado, mas a operação ainda não foi concluída pelas partes, segundo as fontes. Antes disso, precisam ser cumpridas determinadas condições precedentes ao negócio.
Quando concluída, será a segunda grande aquisição da CGN de ativos de energia renovável no Brasil em menos de um mês.
Em 16 de janeiro, a chinesa assinou um acordo para compra de três projetos de geração renovável da italiana Enel, somando 54o MW, por R$ 2,9 bilhões – montante que serve de referência para a aquisição da Atlantic, segundo fontes. Foram vendidos os parques solares Nova Olinda (292 MW), localizado no Piauí, e Lapa (158 MW), na Bahia, além do parque eólico Cristalândia (90 MW), também na Bahia.
Segundo informações do site da CGN, com base em dados do fim de 2018, a companhia opera hoje 22 usinas nucleares, com potência de 24,3 GW, e tem outras seis em construção com capacidade de 7,43 GW. Em renováveis, tem 11,3 GW na fonte eólica em operação e mais 2,38 GW da fonte solar. O portfólio se completa com 11,6 GW em projetos de energias renováveis em outros países.
Com a venda da Atlantic, a Actis ainda terá dois veículos de investimento em renováveis no Brasil. A Echoenergia, que investe em renováveis e já tem 952 MW em projetos eólicos contratados, e a Atlas Renewable Energy, voltada para a fonte solar na América Latina.
Fonte: Valor Econômico