São PAULO – A chinesa Sinochem Corp. venceu a concorrência por uma participação avaliada em US$ 3,07 bilhões em um campo petrolífero da norueguesa Statoil no Brasil. A iniciativa acontece no momento em que as estatais de energia da China buscam em todo o mundo ativos de alta qualidade para ajudar a atender o crescimento econômico da terceira maior economia do mundo. Para o sócio da Bain & Company e responsável pela prática de Oil & Gás, José de Sá, o movimento da China não se restringe ao Brasil, mas a todas as áreas do planeta que tenham abundância de petróleo. A China precisa manter-se em funcionamento, por isso ela participa agressivamente do mercado, como aconteceu recentemente no acordo fechado entre as estatais China State Construction Engineering (CSCEC) e Nigerian National Petroleum (NNPC) para construir três refinarias de petróleo e um complexo petroquímico na Nigéria a um custo de US$ 23 bilhões, afirma o sócio da Bain & Company.
José de Sá explica ainda que a China precisa ter acesso às reservas de petróleo e elas se encontram atualmente em regiões como o Brasil e a costa oeste da África, o Canadá e a Austrália.
O executivo afirma que no mundo desenvolvido não existe mais abundância de petróleo. A abertura da costa oeste para exploração do petróleo, que até ganhou alguma simpatia do presidente Barack Obama, perdeu força com o acidente do Golfo do México, afirma o executivo.
Por isso, diz José de Sá, é natural que vejamos movimentos como o da BP e dos chineses que procuram espaço na exploração brasileira. Mas a Petrobras controla os negócios de petróleo no País e o espaço estrangeiro no negócio é limitado, diz.
Desinvestimento
Em novembro, a norueguesa Statoil afirmou que poderia reduzir sua participação total no Campo de Peregrino, na Bacia de Campos. O desinvestimento é um passo natural em nosso esforço contínuo de otimizar nosso portfólio, disse o presidente executivo da Statoil, Helge Lund, em comunicado.
A forte exposição da Sinopec ao setor altamente controlado de refino da China levou a empresa a se diversificar em projetos de exploração e produção no exterior, como no recente acordo de US$ 4,65 bilhões pela fatia da ConocoPhillips em um projeto no Canadá.
A Sinopec já tem presença no Brasil. Em abril, ela recebeu os direitos para desenvolver dois blocos petrolíferos na costa norte, em acordo com a Petrobras.