Petrobras pretende dobrar o número de plataformas para desenvolver volumes excedentes do campo da cessão onerosa
Por João Montenegro
A Petrobras pretende pelo menos dobrar o número de plataformas previstas para o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, chegando a dez unidades de produção no ativo. Atualmente, quatro FPSOs (P-74, P-75, P-76 e P-77) operam área, e um quinto, Almirante Barroso, tem primeiro óleo programado para 2022.
Segundo o diretor de E&P da petroleira, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, o plano é instalar a sexta plataforma em 2024, e as demais, nos quatro anos seguintes. “Hoje, pensamos em cinco, mas pode ser mais que isso”, disse o executivo, durante teleconferência com analistas na sexta-feira (8/11).
Os novos FPSOs serão responsáveis pelo desenvolvimento da produção dos volumes excedentes do campo da cessão onerosa, adquiridos pela Petrobras no leilão de quarta-feira (6/11), em parceria com as chinesas CNOOC (5%) e CNODC (5%), pelo bônus de R$ 69,960 bilhões. /
De acordo com Oliveira, as próximas plataformas poderão ter capacidade entre 150 mil bopd, como as atuais, e 180 mil bopd – mas plantas ainda maiores, de mais de 200 mil bopd, não estão descartadas. O investimento por unidade pode variar entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões, a depender do tamanho e especificações técnicas.
Sobre a estimativa de recuperação das reservas do excedente, Capo disse que, para informar uma projeção, será preciso, antes, fechar o acordo de coparticipação com as sócias no projeto, o que acontecerá até o final de dezembro. Questionado sobre a possibilidade de farm-out da Petrobras em Búzios, o executivo disse que não há existe essa intenção no momento.
O diretor de E&P da Petrobras explicou que as condições para adquirir Atapu e Sépia – também ofertadas no leilão do excedente – não se adequaram às exigências da companhia. Sobre Itapu, disse que não deve ser necessária outra plataforma além da planta de 120 mil bopd que está em licitação e cujo primeiro óleo está previsto para 2023.
“Se houver atraso na contratação da plataforma, talvez fique para 2024”, admitiu o executivo.
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, assegurou que a meta de desalavancagem da dívida da companhia (índice dívida líquida/Ebitda ajustado para 1,5 vez em 2020) permanece intacta após as aquisições dos blocos de Búzios, Itapu e Aram – este último arrematado na 6ª rodada de partilha.
“O pagamento da compensação pelos sócios em Búzios ajudará na questão da dívida. Eles também podem vir a ampliar sua fatia no projeto, o que também constribuiria. Estamos 100% certos de que fizemos a coisa certa”, completou a diretor de Finanças e Relacionamento com Investidores da petroleira, Andrea Marques de Almeida.
Para Castello Branco, a principal razão para a ausência de petroleiras privadas nas rodadas do excedente e na sexta de partilha da produção é a complexidade regulatória do segmento de E&P do Brasil.
“Conteúdo local, contrato de partilha, PPSA, cessão onerosa…Não há nada disso na Bacia Permiana [nos EUA], por exemplo”, assinalou o executivo. “Um mês atrás, tivemos a 16ª rodada, e sequer houve empresas nacionais participando. É uma mostra de que a parafernália de regulações é ruim para atrair investimentos”, concluiu.
Fonte: Revista Brasil Energia
