De passagem pelo Brasil, o diretor global da divisão de Energia da Lloyd’s Register, uma das maiores classificadoras de embarcações no mundo, John Wishart, falou dos planos da empresa para o país. A estratégia prevê a aquisição de empresas brasileiras de consultoria e treinamento e a ampliação do quadro local em 50%. Entre as principais novidades está a oferta de serviços de inspeção e avaliação de risco na área de perfuração, propiciada pela compra recente da West Engineering e da Moduspec.
A aquisição da West Engineering e a Moduspec no ano passado contribuirá para o crescimento da Lloyd’s no Brasil?
Estamos nos reposicionando no Brasil de uma maneira diferente diante de uma enorme quantidade de oportunidades e nesse movimento vamos trazer novas competências na área de perfuração. A West Engineering é especializada na certificação de equipamentos de subsuperfície, como BOP e sistemas de controle; e a Moduspec em topsides.
Como será a atuação da empresa no país?
Essas empresas têm equipes que fazem a avaliação de integridade dessas estruturas. Uma componente chave no negócio delas é o treinamento em controles submarinos, sistema elétrico, sistema mecânico e outras partes. No cenário de crescimento do setor, treinamento será chave porque é um conhecimento restrito no mundo.
Haveria um exemplo específico no mercado para ilustrar isso?
A partir de Macondo, desenvolvemos uma ferramenta de avaliação de risco do BOP, que auxilia a operadora a entender todas as condições de operação do equipamento e identificar falhas em tempo real. Essa informação propicia mais consistência a uma decisão de suspender a perfuração para checar o equipamento, o que representa uma grande economia de tempo e dinheiro em águas profundas. Será muito útil no pré-sal.
Quantas sondas em operação no Brasil estão sob a avaliação da Lloyd’s?
No momento, três.
Qual o peso da divisão de Energia para a Lloyd’s?
A Lloyd’s fatura £ 1 bilhão no mundo, dos quais 1/3 vem da área de Energia. Temos como meta aumentar o faturamento para £ 1,5 bilhão em três anos e uma parte significante desse crescimento virá dos negócios de Energia.
E qual o potencial do Brasil?
Estamos olhando para algumas ações estratégicas e o Brasil é uma área chave. Queremos dar suporte não só à Petrobras, como a outras operadoras daqui e que estão chegando e já admiram nosso trabalho no exterior. Achamos importante atender nossos clientes globalmente, onde eles estiverem.
Onde estão as oportunidades no Brasil?
Além da classificação de FPSOs e a inspeção de equipamentos, containers e outros elementos, haverá um significativo trabalho com sondas, envolvendo equipamentos submarinos. Esperamos uma grande demanda dos nossos consultores em segurança, que trazem muita experiência de fora. Também trabalhamos com psicólogos que avaliam a interação humana com os equipamentos offshore.
São novos serviços da Lloyd’s no Brasil?
Vamos oferecer novos serviços. Não vejo muita gente no mercado prestando consultoria sobre questões mecânica, como vibração. Também vamos prover ferramentas nossas que identificam quais componentes do poço que precisam de reparo ou manutenção e mostram como fazer isso. Queremos trazer muitos serviços novos.
Quais serão os serviços novos a serem oferecidos primeiro?
Os primeiros demandados deverão ser os ligados à inspeção das sondas e depois consultorias sobre segurança e avaliação de risco, incluindo a força de trabalho. Em um segundo momento, eu vejo oportunidades em projetos voltados para expandir a vida útil das instalações.
O trabalho de certificação no setor vai mudar?
Vejo um negócio mais global. Recentemente, montamos equipes para atuarem de forma global em três linhas de serviço da divisão de Energia. A ideia é difundir conhecimento e estabelecer métodos e padrões consistentes.
Comparado a outras regiões, qual o peso do Brasil para a Lloyd’s?
Brasil terá uma participação relevante na produção mundial e é uma área chave para nós, assim como os EUA para o xisto, o Canadá para as areias betuminosas e a África como nova fronteira. Empresas, como BG, Shell, Statoil estão no Brasil e no mundo. O Brasil está em um mercado global. A Petrobras é uma companhia internacional. Adoraremos servir a Petrobras aqui e lá fora.
O Brasil é visto em uma perspectiva global?
Sim. Existem conexões, como entre o Brasil e a África, por exemplo, onde equipes daqui podem ser eficientes em Angola pela questão da língua. Queremos que o Brasil seja uma base global para as operações da Lloyd’s e por isso vamos investir na contratação de mais profissionais brasileiros.
Quanto a Lloyd’s quer crescer no Brasil?
A meta para a divisão de Energia é aumentar o quadro em 50% em dois ou três anos.
Não é muito em pouco tempo?
Sim e por isso também estamos buscando a aquisição de empresas brasileiras. Sabemos que não é fácil crescer organicamente e em alguns momentos a melhor maneira para incorporar massa crítica é através de aquisições.
Que tipo de empresas?
Empresas que fazem consultoria, treinamento ou ambos, na área de inspeção de topside.
E o objetivo em faturamento?
Isso está mais ou menos associado ao crescimento de pessoal.
O mercado brasileiro pode crescer quanto nos próximos dez anos?
É difícil estimar. Existem várias coisas acontecendo. O que aconteceu com o gás recentemente é um bom exemplo. Os EUA se tornaram exportadores quando eram importadores, porque o shale gás é relativamente fácil de acessar e virou uma alternativa barata de combustível. A dinâmica do mercado mudou. Projetos petroquímicos ficaram mais baratos na América do que em outras partes do mundo.
A Lloyd’s tem um plano de negócios para o Brasil?
Ainda estamos finalizando o orçamento para o ciclo 2013/2014, que começa em junho.
Há previsão de crescimento nesse orçamento?
Sim, vamos aumentar o investimento em função dos objetivos de crescimento no Brasil. Reconhecemos que temos que investir mais no Brasil e estamos confortáveis com isso.