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Empresa observa restrição de janelas de depot parceiro em Itapoá. Cenário, segundo analistas, tem influência de aumento de demanda, oferta de berços e fatores externos
A CMA CGM enviou um alerta a seus clientes, nesta sexta-feira (24), avisando da restrição de janelas no depot parceiro de Itapoá (SC) para devolução de contêineres vazios. Com o aumento de demanda e com menos berços disponíveis nos últimos meses, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, a capacidade instalada oferecida nas zonas primária e secundária vem sendo insuficiente para evitar o problema, que já foi relatado no primeiro trimestre deste ano e voltou a se agravar nas últimas semanas.
“Recomendamos que avaliem a possibilidade de devolver as unidades em Navegantes (SC), Paranaguá (PR) ou Imbituba (SC)”, informou a empresa em nota. O armador acrescentou no comunicado que está adotando medidas para que, em breve, a situação em Itapoá se normalize.
Os terminais estão com mais contêineres cheios, que pagam mais que os vazios e são prioridade para os operadores. O lotação nos pátios primários direciona o excedente para terminais na zona secundária, que passam a dedicar mais espaço para equipamentos cheios. Outro efeito é que os depots nem recebem os contêineres vazios do importador, gerando demurrage, nem liberam os vazios para a exportação.
Alguns embarcadores vêm relatando que, nesse contexto de gargalo logístico e falta de berços, estão desviando volumes de Santa Catarina para o Porto de Rio Grande (RS) que, nas últimas semanas, não precisou ficou fechado por longos períodos, mas sofre os efeitos das enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul.
No cenário externo, uma parcela importante da movimentação internacional de carga, em trades como Ásia-Europa e Ásia-Mediterrâneo, precisou mudar as rotas devido a questões de insegurança causada por conflitos no Mar Vermelho. Viagens que levavam 10 semanas, passaram a levar até 14 semanas. “Trafegando de 3 a 4 semanas a mais, o giro do contêiner diminui e já está começando a faltar contêiner no mundo por conta das viagens mais longas”, comentou o sócio-gestor da Solve Shipping, Leandro Barreto.
Há uma expectativa dos armadores de que, entre junho e julho, a BTP (SP) retome as operações do berço 1, que passa por reforço após a colisão de um navio no começo do ano. Também é esperado que sejam retomadas as operações de contêineres na área arrendada do Porto de Itajaí (SC), após o anúncio de que a empresa JBS vai investir na operação no porto organizado.
“Isso diminuiria um pouco a pressão no sistema. Mas com as taxas de crescimento da demanda verificadas no primeiro semestre de 2024, seria apenas um respiro porque o mercado precisa urgentemente de mais capacidade”, comentou Barreto.
No começo do ano, a espera para devolver equipamentos vazios chegou a 40 dias, por conta dos depots lotados. Com a redução das janelas para recebimento dos vazios, os usuários também questionaram a cobrança de demurrage. O problema amenizou nas primeiras semanas de março e foi possível devolver os vazios em menos dias, porém o gargalo não foi totalmente solucionado, segundo os embarcadores.
Fonte: Revista Portos e Navios