A Codesp vai redefinir as regras operacionais do Porto de Santos, envolvendo prioritariamente as empresas que operam no Cais do Saboó, em uma tentativa de eliminar os recentes e recorrentes congestionamentos da região, que vira e mexe estouram na Via Anchieta. A Autoridade Portuária ameaça punir quem não cumprir as futuras resoluções. Osnovos procedimentos operacionais serão definidos amanhí, em uma reunião entre a estatal, a Guarda Portuária (GPort) e os arrendatários de terminais do Saboó. A decisão de adequar o regramento operacional do Saboó foi anunciada ontem, durante a reunião do Comitê de Logística do Porto de Santos. Com a participação de representantes de terminais, sindicatos, entidades empresariais e autoridades, a sessão esquentou quando o assunto entrou na pauta.
Segundo o diretor de Infraestrutura e Execução de Obras da Codesp, Paulino Moreira da Silva Vicente, está sendo feito um diagnóstico de tudo que vem ocorrendo na região do Saboó, terminal por terminal, para traçar uma solução aos problemas causados pelos congestionamentos. Com certeza, está faltando a aplicação de procedimentos e fiscalização.
Muitas vezes, o interesse privado se sobrepõe ao interesse público. A Codesp e a Guarda Portuária vão identificar tudo que há de errado ou de impeditivo ao bom funcionamento do Porto. E irá estabelecer procedimentos com fiscalização, afirmou o diretor. O regramento incluirá, por exemplo, uma redistribuição das vagas de estacionamento rotativo de caminhões nas vias do complexo, sobretudo no Saboó. Além disso, haverá uma melhoria dos acessos aos pátios internos dos terminais do Tecondi e, especialmente, da Rodrimar, pontuou o diretor.
O superintendente da GPort, Celso Trench Júnior, garantiu que irá ampliar o efetivo da corporação no Saboó. Nas últimas semanas, os terminais do Saboó foram acusados de causar congestionamentos na Avenida Augusto Barata (Retão da Alemoa), com filas que seguiam pela Via Anchieta até Cubatão. Para caminhoneiros e até a própria Docas, problemas operacionais nas instalações daquela região originaram as dificuldades. Um desses problemas é a remodelação de um pátio da Rodrimar. Ontem, a Codesp anunciou o prazo de 30 dias para que as obras sejam concluídas. PUNIçãO O diretor da Codesp garantiu que haverá penalidades aos operadores que descumprirem o futuro regramento. Definiremos os procedimentos na quinta-feira (amanhí). Feito isso, começa a fiscalização. Quem infringir será passível de multa.
Usuários, terminais, sindicatos que criarem dificuldades vão ser autuados, alertou o executivo. Segundo ele, as melhoras no tráfego vão aparecer entre 20 e 30 dias. A decisão da Codesp de, primeiro, identificar o problema e, depois, redefinir o regramento, para só no fim aplicar penalidades exaltou os ânimos na reunião do comitê, como há muito tempo não se via. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Cargas (Sindisan), Marcelo Marques da Rocha, cobrou a aplicação de medidas imediatas. O coordenador do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Heraldo Gomes de Andrade, reclamou que, enquanto estudos são feitos, o caminhoneiro está sendo penalizado nas filas que duram horas. O empresário João Ataliba de Arruda Botelho Neto, do pátio privadoRodopark,apontouque parte dos problemas precisa ser assumida pelas empresas que prestam os serviços. O caminhoneiro não vai para a fila porque quer e, sim, porque alguém convocou.Seconvocou,temque pagarascontaseassumir. O diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários de São Paulo (Sopesp), José dos Santos Martins, defendeu os terminais, que estão sendo colocados como os patinhos feios. Existem coisas erradas de todos os lados e, agora, precisamos consertar. Trânsito no Porto será alterado O trânsito portuário será liberado para seguir por um conjunto de vias municipais a partir do próximo dia 12, a fim de permitir o avanço das obras do terceiro trecho da Avenida Perimetral do Porto de Santos, entre a Praça da Santa e o Canal 4. Sete linhas de ônibus terão os trajetos alterados. A passagem de caminhões pelas vias do complexo, entre a Santa e o Canal 4, não será interrompida por conta do desvio. Mas, segundo o diretor de Infraestrutura e Execução de Obras da Codesp, Paulino Vicente, deverá ser evitada. Nas últimas semanas, com o estreitamento das pistas no trecho para a construção de linhas férreas e da perimetral, caminhoneiros procuraram A Tribuna reclamando de problemas no trânsito. Um deles é a parada do tráfego, por agentes da Guarda Portuária, enquanto os trens passam. A expectativa é que o desvio proposto pela Codesp seja usado por três meses, tempo necessário para acelerar as obras do trecho, que deverão ser concluídas até o fim do ano. A partir do dia 12, o tráfego em direção aos terminais do Macuco, do Corredor de Exportação e da Ponta da Praia deixará o cais pela Avenida Senador Dantas, fará a conversão à esquerda na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e seguirá até a Avenida Esmeraldo Tarquínio Silva (a curva para a Avenida Almirante Tamandaré).
Deste ponto, o caminhão retornará às vias do cais, por uma entrada recém-aberta no muro de pedras que separa o Porto e a zona urbana. No sentido contrário, os veículos que deixam a Avenida Mario Covas (ex-dos Portuários) terão duas opções. A primeira é usar o Canal 4, migrando para a Almirante Tamandaré na conversão à direita. Ou entrar na avenida portuária e seguir até a abertura para a Esmeraldo Tarquínio. Nos dois casos de saída, o fluxo será direcionado à Rodrigues Alves até a Rua João Alfredo, ao lado do Museu do Porto. De lá, o motorista chegará ao cais através de outra abertura no muro, no fim da via. A Codesp distribuirá 10 mil folhetos com as interdições e os desvios de tráfego. ÔNIBUS Sete linhas de ônibus que trafegam nessa região terão o itinerário alterado a partir do próximo dia 12. As linhas 42, 61, 80 e 158, no sentido Ponta da Praia-Centro, passarão a percorrer o Canal 4, Almirante Tamandaré, Rodrigues Alves e João Alfredo, quando retornam ao cais, na direção da Praça da Santa. No sentido Centro-Ponta da Praia, o trajeto das linhas 80, 8 e 100 seguirá pelas avenidas Senador Dantas e Rodrigues Alves,entrando novamente no cais a partir da abertura do muro na Esmeraldo Tarquínio.