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Clippings - 24/01/18

Codesp quer reduzir tempo de espera para atracação

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária de Santos, planeja reduzir em até 34%, de 9 para 6 dias em média, o tempo de esperados navios para atracação no complexo marítimo. Para tanto, aposta em planejamento logístico e na utilização do transporte hidroviário no Canal do Estuário.

Essas medidas também vão evitar congestionamentos na malha rodoviária regional e garantir uma maior movimentação anual de cargas, ultrapassando a marca recorde atingida no ano passado, quando somou 129 milhões de toneladas.

Esses planos foram apresentados pelo diretor-presidente da Codesp, José Alex de Oliva, na manhã de ontem, durante o Fórum Safra 2018. O evento debateu os procedimentos a serem adotados por empresas e autoridades do setor, para o escoamento das safras agrícolas deste ano pelo Porto. O encontro reuniu representantes da comunidade portuária no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini (Concais).

A expectativa neste a no é que até 56 milhões de toneladas de cargas agrícolas sejam embarcados para o exterior pelo complexo portuário santista – um aumento de 10% em relação à marca atual.

No fórum, Oliva explicou que, ao assumir a presidência da Docas, em 2015, o prazo para uma embarcação atracai’ no cais santista era de até três semanas. No final do ano passado, essa janela caiu para 9 dias.

“O desafio para 2018 é que o navio não passe de 6 dias esperando para carregar. O desempenho do Porto de Santos reflete a economia brasileira. Estamos sinalizando ao País que é possível avançar”, diz.

O diretor-presidente sustenta, entretanto, que o tempo de espera ainda é superior a outros termina is portuários nacionais. Ele apontou que, em alguns portos das regiões Sul e Nordeste, a janela de embarque de cargas é inferior a 96 horas. Em Roterdã (Holanda), o liberação do navio ocorre em tempo médio de 2 dias.

O maior prazo para a atracação contribui para elevar em ate quatro vezes os custos do transporte dos produtos brasileiros.

TRANSPORTE HIDROVIÁRIO

Uma maior agilidade para embarcar as mercadorias é esperada com o início das operações do transporte hidroviário, que será inaugurado no próximo dia 2, data em que o Porto completará 126 anos. A solenidade terá a presença do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella.

O projeto-piloto desse transporte prevê a utilização de 17 quilômetros do Canal do Estuário, entre Cubatão e os terminais portuários. Oliva explica que, nessa fase, apenas contêineres serão movimentados pelo modal aquaviário e será possível retirar até 350 caminhões das vias próximas ao Porto por dia.

A autoridade portuária não descarta a venda de créditos de carbono – comprovante de que reduziu a emissão de gases do efeito estufa em suas atividades – com a medida.

ESCOAMENTO

Também durante o Fórum Safra 2018, o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Sávio Rafael Pereira, indicou que ao menos 56 milhões de toneladas de granéis sólidos vegetais (açúcar, soja e milho) serão embarcados no Porto neste ano. A expectativa da pasta é similar à previsão feita no final do ano passado pela Codesp.

A quantidade de alimentos escoados pelo cais santista representa a metade da produção agrícola brasileira, estimada entre 110 milhões e 115 milhões de toneladas. No ápice de transporte da carga dos gêneros alimentícios, mais de 14 mil caminhões devem passar pelo Porto por dia – uma alta de 55% ante a média de 9 mil veículos pesados.

Segundo o diretor executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), José dos Santos Martins, até 32% dos alimentos exportados chegam ao Porto por caminhões. A novidade dessa safra e que, desde novembro passado, todos os terminais de granéis vegetais estão interligados ao projeto Cadeia Logística Portuária Inteligente (Porto-log), do Governo Federal.

O sistema informatizado permite o acompanhamento do transporte rodoviário das cargas desde as zonas produtoras até os terminais marítimos. Assim, é possível organizar seu escoamento e garantir que, na chegada das mercadorias, não haja congestionamentos n as estradas locais. Essa alternativa foi utilizada por empresas do cais na temporada passada. “Escoamos a maior safra de grãos e não tivemos filas nas rodovias. Isso ocorreu com planejamento estratégico e entrosado dos operadores portuários”, sustenta Carlos Canno, diretor do Eco-pátio, um dos pátios reguladores de caminhões do Porto.

ENTRADA DE SANTOS

As obras do Governo do Estado na reformulação do sistema rodoviário na entrada de Santos devem começar ainda neste ano, anunciou o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), durante sua participação no Fórum Safra 2018 ontem, no Porto de Santos.

 

Fonte: A TRIBUNA (SP)