A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) triplicou, em um ano, o lucro contábil arrecadado pela empresa. Os R$ 65.209 milhões registrados em 2011 saltaram para R$ 199.320 milhões, no ano passado.
O valor é considerado o maior superávit da estatal em toda sua história. Além disso, com os resultados obtidos nos últimos seis anos, há guardado nos cofres o dobro do necessário para quitar as dívidas acumuladas. Os dados do balanço financeiro positivo foram divulgados na manhí de ontem.
O superávit caminha contra a desaceleração da economia mundial, que teve início em 2008 – e refletiu, mesmo que não decisivamente, nas atividades brasileiras. Desde 2007 até o último ano, porém, a Docas conseguiu registrar um crescimento de 209,13% em seus resultados, revertendo o prejuízo de R$ 119,2 milhões registrado em 2006.
“Apesar da conjuntura enfrentada, a Codesp obteve resultados expressivos”, comentou o diretor de Administração e Finanças da estatal, Alencar Costa.
A maior rigidez no controle de gastos, assim como no planejamento das inversões nos investimentos em infraestrutura, é encarada como elemento propulsor desse crescimento.
Além disso, uma efetiva busca aos valores a receber, que, até então, estavam em segundo plano, e a mudança no modelo de licitações das áreas arrendadas também contribuíram para o acúmulo. “Hoje, há em caixa, quase R$ 2,00 para saldar cada R$ 1,00 em dívidas”, garante o diretor.
Até então, a Codesp possuía apenas R$ 0,06 para saldar o mesmo valor. Há, portanto, 33 vezes mais de receita do que antes – o que faz a Codesp dispor de reserva mais que suficiente para quitar todos os compromissos estabelecidos, restando, ainda, saldo positivo.
“Para cada R$ 1,00 de dívida, a Codesp dispõe de R$ 1,29 na liquidez imediata; de R$ 1,43 na liquidez corrente e seca e de R$ 19,98 na liquidez geral”, esclarece Costa.
MELHORA Nos últimos seis anos, a Docas acumulou lucro líquido de R$ 474,7 milhões – valor distribuído em dividendos aos acionistas (R$ 94,7 milhões) e também em participação nos lucros e resultados (PLR) aos empregados próprios (R$ 23,7 milhões).
No ano passado, explica Alencar, o aumento de 7,6% na movimentação de cargas no Porto de Santos também resultou em um crescimento de 12,12% no balanço de demonstrações financeiras, representando diferencial de 4,52% acima daquele verificado nas operações de mercadorias.
“Esse resultado é produzido pela variação de 7,81% do IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) médio, que reajusta os contratos de arrendamento anualmente, e pela redução de encargos financeiros incidentes sobre os parcelamentos tributários”, explica o diretor da Codesp.
O crescimento expressivo, ocorrido graças à manutenção dos lucros, assegurou, também, rentabilidade no patrimônio líquido da empresa, registrando alta de R$ 310 milhões entre 2011 e 2012. Para este ano, a Codesp deve manter este cenário positivo.
A estatal estima que, em um contexto melhor na economia mundial e nacional, o Porto de Santos poderá apresentar melhores resultados – baseado no possível acréscimo de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, calculado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). De acordo com a empresa, as projeções para 2013 estão amparadas nas medidas que o Governo busca para manter a taxa básica de juros (Selic) em 7,25%, com inflação controlada em torno dos 5%.