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Kitack Lim disse que muitos elementos formadores do novo conceito já estão presentes na navegação há muitos anos. Ele destacou que comércio marítimo necessita de força de trabalho altamente treinada para encarar os desafios do século XXI, entre os quais a descarbonização e a automação.
A Organização Marítima Internacional (IMO) entende que o desenvolvimento do e-Navigation exigirá a cooperação de um número significativo de pessoas de diferentes atividades correlacionadas. O secretário-geral da IMO, Kitack Lim, afirmou que essa colaboração para compartilhamento de conhecimentos tem sido ponto-chave do trabalho da organização para regulação de serviços e navios autônomos. Lim acredita na possibilidade de se desenvolver e alcançar uma regulação global para o e-Navigation, o que exige afinidade de propósitos entre os mais de 170 Estados-membros e um olhar prioritário para os marítimos.
O secretário-geral disse que a estratégia do e-Navigation adotada pela IMO ilustra como a automação avançada, a inteligência artificial e a tecnologia podem aperfeiçoar a atividade marítima. Ele acrescentou que o comitê de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) já desenvolveu elementos aprovados em relação ao e-Navigation, com diretrizes para a padronização dos equipamentos.
“Espera-se que o e-navigation englobe informações diversificadas em relação à segurança marítima para proteção e segurança do meio ambiente marinho, reduzindo custos e aumentando a eficiência do comércio e transporte marítimos”, destacou Lim, em mensagem gravada para a abertura do evento e-Navigation — Seminário de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizado de forma híbrida, com parte presencial no Ciaga, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (20).
Lim destacou que muitos elementos formadores do e-Navigation já estão presentes há muitos anos. Ele citou o sistema eletrônico de determinação da posição por satélite, cartas de navegação eletrônica, radar anti colisão e pilotos automáticos capazes de controlar a direção e velocidade. “Através da estratégia do e-Navigation, a IMO torna-se capaz de focar na harmonização, padronização e integrar a maneira como a informação é apresentada e compartilhada em terra e a bordo”, explicou.
O secretário-geral da IMO reconheceu que a perspectiva de grandes cargueiros transoceânicos totalmente autônomos pode estar ainda distante. Ele ponderou que a organização, de forma proativa, já considera o impacto que a autonomia poderá causar em navios com diferentes níveis de automação, e também aos marítimos. A avaliação da IMO é que a tecnologia e os dados são a chave para um futuro mais seguro e sustentável para a atividade marítima, graças a uma nova tecnologia emergente — não somente do e-Navigation, mas também nas áreas de combustíveis alternativos, sensores mais avançados e inteligentes, robótica, inteligência artificial e técnicas de construção.
“A atividade marítima está ingressando em uma nova era. A despeito disso, devemos manter os marítimos como aqueles que se deve considerar em primeiro lugar”, afirmou. Lim lembrou que o tema do dia do Marítimo — “Marítimos: no cerne do futuro da navegação” — reconhece o papel crucial do fator humano para a atividade comercial marítima.
Segundo o secretário-geral, o comércio marítimo necessita de uma força de trabalho altamente treinada para encarar os desafios do século XXI, entre os quais a descarbonização e a automação, que apresentam oportunidades e desafios para os marítimos em todo o setor. Ele salientou que a população mundial ainda vive a pandemia de Covid-19, que trouxe enormes dificuldades para os marítimos. “O mundo precisa dos marítimos e eles necessitam do nosso apoio. A IMO tem trabalhado para resolver questões como troca de tripulação, assistência médica e vacinação para os marítimos”, disse Lim.
Fonte: Revista Portos e Navios
