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Clippings - 09/07/26

Com aumento de capital, Finep amplia visão para soluções estruturantes e parcerias

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vem direcionando sua visão para soluções estruturantes de cadeias que contribuam para que a indústria brasileira ganhe potência para avançar, entre outros temas, na transição energética. Na semana passada, o gerente de transição energética da Finep, Paulo José de Resende, disse que, nos últimos meses, tem se dedicado à resolução de problemas complexos, onde gargalos tecnológicos impedem fatores de competitividade sistêmica da indústria brasileira.

Resende destacou que, há cerca de 10 anos, a empresa pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem se estruturado e apoiado projetos no setor de energia. A carteira inclui a cadeia do hidrogênio, desde as pesquisas acadêmicas e, mais recentemente, o desenvolvimento de soluções lideradas por rotas tecnológicas brasileiras.

Ele citou que, nos últimos quatro anos, foram lançados editais de subvenção e chamadas para mitigar riscos tecnológicos dos projetos de inovação em assuntos do setor elétrico e ligados a energias renováveis e à transição energética. Este último tema possui uma chamada aberta e receberá propostas até agosto de 2026.

Um dos projetos apoiados estuda o desafio tecnológico para um eletrolisador nacional, no qual a Finep e a Petrobras estão aportando recursos para desenvolvimento de uma rota tecnológica nacional de classe industrial. “Existe uma oferta de recursos bilionária para viabilizar o desenvolvimento de tecnologias nacionais, com possibilidade inclusive de novas ações”, destacou Resende, no evento ‘Orange Dialogues’, no Rio de Janeiro (RJ), promovido pelo Consulado Geral dos Países Baixos no Rio de Janeiro, na última semana.

O gerente acredita que o avanço tecnológico da cadeia do hidrogênio não está vinculado somente às tomadas de decisão (FIDs) porque é na etapa de engenharia que se começa a perceber quais fatores na planta industrial que se pretende operar no futuro e que podem impactar no preço. “Antes da decisão de investimento (FID), tem uma configuração tecnológica, onde o desenvolvimento de inovações brasileiras pode contribuir”, comentou Resende.

Ele ressaltou que a Finep atua num nível de maturidade tecnológica onde o potencial de aplicação da inovação pode resultar em produtividade e custos mais atrativos para o investimento industrial que se pretende fazer. Nesse modelo, a tecnologia entra como vetor pelo lado brasileiro, que dá competitividade para a diversificação de fontes, o que aumenta a atratividade de uma planta de operação instalada no país. Hoje, porém, ainda existem preocupações relacionadas com rastreabilidade e logística, que são necessárias para entregar a molécula de hidrogênio no mercado de destino.

Há algumas semanas, o governo dos Países Baixos assinou um memorando de entendimentos (MoU) com o Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil a fim de fortalecer pesquisas para transição energética, abrangendo hidrogênio, biometano e outras tecnologias. “Temos a oportunidade de promover pelas políticas nacionais — como ‘Nova Indústria Brasil’, a soberania tecnológica brasileira, abrindo portas para a cooperação tecnológica internacional”, mencionou Resende.

Resende concorda com o pensamento de que é preciso fortalecer a capacidade produtiva, as competências inovativas da indústria brasileira para que ela possa tratar de igual para igual nas parcerias internacionais que se abrem. Ele ponderou que soberania tecnológica não quer dizer ausência de cooperações e multilaterais.

Ele destacou que a Finep não financia soluções fechadas (turn-key), mas dá suporte ao financiamento para a recepção de tecnologias, customização e esforços de engenharia para aumentar a competitividade das plantas brasileiras. No caso da cadeia de hidrogênio, incentivando o desenvolvimento de soluções locais, capazes de negociar créditos de carbono, de entregar moléculas em seus mercados de destino. Fazendo, por exemplo, com que a amônia verde produzida no Brasil chegue à Europa tão competitiva quanto o hidrogênio que são transportados pelos gasodutos do norte da África.

“A Europa não vai dar preferência ao Brasil pagando mais caro. Falamos de operações industriais que tendem a se tornar commodities na cadeia global. O desafio da competitividade brasileira viabilizando uma rota marítima para entregar essas moléculas na Europa é enorme. A inovação vem para contribuir para esse quadro desejado”, analisou Resende.

Cooperação internacional
A Finep possui um departamento de cooperação internacional que está aberto para estreitar relacionamentos. A agência está apta a fazer editais bilaterais e está inserida, inclusive, nas discussões da cooperação internacional na esfera do BRICs. Nesse campo da cooperação, a Finep já tem um histórico de mais de 10 anos com países como a Noruega na área de petróleo que, mais recentemente, vem sendo expandida por conta da transição energética.

A legislação atual permite que a Finep possa lançar editais bilaterais para o fortalecimento da cadeia do hidrogênio e demais vetores da transição energética. Sob supervisão do MCTI, também pode articular com outros atores para compreender novos desafios tecnológicos que precisam ser apoiados. Um deles é a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao MME, parceiro técnico que contribui com novos editais da Finep relacionados à criação de competências tecnológicas na transição.

Esses editais são importantes para abrir a possibilidade de injeção de recursos com a finalidade de viabilizar tecnologias brasileiras, ou bilaterais, ou multilaterais, contribuindo com o fortalecimento desse movimento industrial de descarbonização global.

Resende percebe uma mudança grande há cerca de quatro anos, quando a Finep passou a perseguir mais a solução de problemas complexos, mobilizando a cadeia industrial para alcançar seus objetivos. Nessa reestruturação, pedidos de subvenção que giravam na casa de R$ 3 milhões, tiveram incremento nesse período.

Um edital de inovação lançado em 2022 operou R$ 80 milhões para transição energética, ao passo que um edital atual opera R$ 514 milhões para esse mesmo tema. “Esse salto, se ele for acompanhado também pelos parceiros bilaterais, temos amplo espaço e amplo interesse para cooperar”, projetou Resende.

O gerente de transição energética da Finep destacou o crescimento dos recursos da Finep e estabilidade institucional para parcerias. Segundo Resende é possível discutir, desde já, ações que serão materializadas em 2027 e em anos posteriores porque existe disposição para cooperar. O aumento do capital social sancionado pelo governo federal este ano foi de R$ 3,5 bilhões.

“Recentemente dobramos o capital social para poder alavancar operações de crédito. Todas as condições de voo para operações cada vez mais firmes e para impulsionar cada vez mais a indústria e a pesquisa brasileira estão postas. É um momento oportuno para avançarmos nessas discussões”, concluiu Resende.

Fonte: Portos e Navios.