A Copa do Mundo de Futebol não foi o único motivo para a visita do presidente Lula ao continente africano. Por trás da cordialidade entre os governantes está o interesse de ambas as partes, principalmente da brasileira, de fortalecer os vínculos comerciais. Mesmo já tendo uma presença significativa no Continente, o Brasil terá de enfrentar a liderança dos chineses para expandir as negociações comerciais com os países africanos.
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Nos últimos dez anos o comércio entre o Brasil e o Continente africano quadruplicou. Em 2009, as transações comerciais entre o Brasil e a África chegaram a US$ 17 bilhões. Até junho de 2010, esse valor estava na casa dos US$ 9 bilhões. Desde que assumiu o cargo de presidente, Lula tem a meta de elevar esse comércio a US$ 26 bilhões, ou seja, aumentar em mais de cinco vezes o valor das transações comerciais.
Dos países da América do Sul, o Brasil é o maior parceiro comercial da África do Sul, num comércio que chegou a 19 bilhões de rands (moeda sul-africana) em 2009. A quantidade de embaixadas brasileiras na África também é um sinal do aumento da presença canarinho no continente. Desde 2002, o número de representações do Brasil na África dobrou, chegando a 34 embaixadas.
O professor de relações internacionais do Centro Universitário do Distrito Federal, Rafael Duarte, avalia que as relações comerciais entre Brasil e África devam se consolidar daqui a 20 ou 25 anos, pois os países africanos ainda não têm estrutura suficiente para realizar esse comércio de forma efetiva. “A maioria dos 80 países da África ainda tem de se organizar como Estado, como sociedade, para ter um ambiente propício para os empresários se manterem. É um problema sério de governabilidade”, explica Rafael.
Uma das atitudes que o Brasil vem tomando para que a África tenha condições de se tornar um importante personagem do comércio mundial é lutar contra os subsídios dos países desenvolvidos. Eles fazem com que os produtos primários entrem no mercado com um valor muito baixo, o que dificulta a participação da África, pois os governos africanos não têm como dar os mesmos subsídios que os países desenvolvidos dão às produções nacionais.