A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado pedirá ao Ministério de Minas e Energia explicações sobre a venda do campo de Azulão, anunciada pela Petrobras este mês. O requerimento é de autoria do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que foi ministro de Minas e Energia entre janeiro de 2015 e abril de 2016.
De acordo com Braga, que hoje preside a CI, são necessárias mais explicações sobre a venda da concessão, que tem viabilidade econômica comprovada.
“O campo de gás fica exatamente embaixo do linhão de Tucuruí para Manaus. Portanto, uma usina termoelétrica a gás embaixo desse linhão é praticamente uma mina de ouro. Por isso, eu não entendo a razão de a Petrobras levar à venda um ativo como esse”, questiona o senador.
Braga questiona se a decisão pela venda da área estaria associada a dificuldades enfrentadas no funcionamento do linhão Tucuruí-Macapá-Manaus e indaga se a Petrobras já possui estimativa de quanto conseguirá receber pela venda da concessão e qual seria o modelo de alienação proposto para a operação.
Durante o perãodo em que esteve no ministério, Braga prometeu trabalhar para destravar o setor petróleo. Na época, o senador criou um grupo de trabalho dentro do ministério para estudar o impacto sobre a concorrência do plano de desinvestimento da Petrobras e afirmou que era necessário agir “com mais prudência e calma” sobre a venda de ativos devido ao momento de volatilidade elevada, com dólar em alta, preços do petróleo baixos, desaceleração mais acelerada da economia chinesa e recessão brasileira.
Azulão tem reserva estimada em 4,7 bilhões de m³ de gás. Este é o primeiro projeto de desinvestimento da Petrobras que segue o modelo de concorrência pública, após determinação do TCU. A meta da petroleira é levantar US$ 21 bilhões em 2017 e 2018 com parcerias e desinvestimentos.