O Porto de Itajaí já sente os impactos da atual situação econômica, da necessidade de ampliação da bacia de evolução e alargamento dos canais de acesso. No primeiro trimestre do ano, a retração na movimentação de contêineres nos meses de janeiro, fevereiro e março ficou em 8%. Somou 241,74 mil Teus, ante os 263,87 mil Teus operados no igual perãodo do ano passado.
O volume operado pela APM Terminals no trimestre somou 95,43 mil Teus, ante os 102,23 mil Teus operados em 2014, com queda de 7%. Já as operações da Portonave (Terminal Portuário Navegantes S/A) nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano ficaram em 146,31 mil Teus, com decréscimo de 9% em relação aos registrados no primeiro trimestre do ano passado.
Para o diretor Administrativo-Financeiro do Porto de Itajaí, Heder Cassiano Moritz, esse recuo na movimentação de cargas a partir de 2015 já era previsto como impacto das limitações da bacia de manobras e canais de acesso, agravado pela atual conjuntura econômica brasileira e mundial.
Segundo o executivo, tais perdas poderiam ter sido minimizadas caso a nova estrutura aquaviária estivesse sendo utilizada já a partir deste ano, uma vez que o Complexo do Itajaí está perdendo navios para portos vizinhos, devido ao comprimento das embarcações. “São navios de 335 metros, que teremos condições de operar somente quando as obras de nossa bacia de evolução estiverem concluídas, a partir do segundo semestre do próximo ano”, acrescenta o diretor.
Além das limitações estruturais, a supervalorização da moeda norte-americana também vem impactando nas importações do complexo. No primeiro trimestre deste ano o dólar acumulou um aumento de 20% em relação à moeda brasileira, chegando a R$ 3,19 no dia 31 de março. Fator que desacelerou as importações brasileiras. Em Itajaí o recuo foi de 8,4%, passando de 133,82 mil Teus no primeiro semestre do ano passado, para 122,53 mil Teus nos primeiros três meses de 2015.
No entanto, para as exportações as perspectivas são boas devido à abertura de novos mercados para as carnes de frango e suína. Para as carnes de frango, que respondem pela fatia de 33,6% das exportações do complexo, o ano é visto por especialistas como favorável, com oportunidades de conquista de novos mercados e do aumento no comércio com a Rússia.
Para a carne suína brasileira, as perspectivas são ainda mais otimistas no mercado externo, com a possibilidade de abertura de novos mercados – como México, Coreia do Sul e Colômbia -, além da oportunidade de consolidação em outros pouco explorados, como Japão.