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Clippings - 27/05/14

Compras dos EUA puxam melhora na exportação

O mercado dos Estados Unidos tornou-se o principal fator de melhoria das exportações brasileiras neste ano, graças à recuperação gradual da economia americana e o aumento da produção de petróleo e derivados no Brasil. Em maio, segundo as indicações preliminares do Ministério do Desenvolvimento, as vendas do Brasil aos EUA continuam em alta. No primeiro quadrimestre, o aumento da média diária de vendas àquele país foi de 17,4%, resultado melhor do que qualquer dos grandes parceiros do Brasil, inclusive a China, que comprou quase 15% a mais dos brasileiros.

O petróleo é um grande herói nessa história, responsável, sozinho, por quase US$ 1,1 bilhão em vendas aos EUA, US$ 316 milhões a mais que no mesmo quadrimestre de 2013 – um aumento de 40,4%. A venda de partes de turbinas de avião, que havia rendido apenas US$ 3 milhões entre janeiro e abril do ano passado, garantiram US$ 373 milhões no primeiro quadrimestre de 2014. A recuperação do mercado imobiliário americano também fez crescer as vendas de madeiras e granito semielaborado, entre 8% e 10%.

As boas notícias no comércio coincidem com esforços de reatamento de relações políticas, estremecidas pelas revelações de espionagem do governo americano. Washington tem enviado altos funcionários do governo Barack Obama a Brasília praticamente todo mês, numa sucessão de visitas que terá seu ponto alto na terceira semana de junho, com a vinda do vice-presidente Joe Biden, para a Copa do Mundo.

Empresários querem extrair resultados da visita de Biden

Em sinal de deferência, Biden será recebido pela presidente Dilma Rousseff, com quem conversou ao telefone há duas semanas. Na conversa, que animou os dois governos, Dilma chegou a dizer que gostaria de ir aos EUA após as eleições deste ano (que ela, evidentemente, espera ganhar). O governo brasileiro continua esperando algum gesto de contrição por parte do presidente Obama pela espionagem dos EUA sobre empresas brasileiras e até a própria Dilma, mas já está claro para as autoridades que ele não virá sob a forma de um pedido formal de desculpas. A visita de Biden tratará dessa expectativa brasileira.

Os empresários já se movimentam para extrair algum resultado concreto da visita do vice-presidente americano. Gostariam de ver firmados três acordos que esperavam ver assinados na visita de Dilma aos EUA, em 2013, cancelada com as denúncias de espionagem. A pauta foi detalhada em declaração enviada aos governos pela poderosa Câmara de Comércio dos EUA, a Confederação Nacional da Indústria e o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos.

Um desses acordos é o Global Entry, pelo qual 150 executivos com viagens constantes aos EUA ganhariam passe livre para entrada em território americano (número que seria, mais tarde, ampliado para 1,5 mil). A medida é um ensaio para um programa mais amplo, que eliminaria a exigência de visto a todos os brasileiros para estadias menores que 90 dias. Também fazem parte da agenda empresarial um acordo previdenciário, que permitirá contar o tempo de trabalho nos dois países para aposentadoria; e um tratado de cooperação entre os escritórios de patentes dos dois países para acelerar análise e aprovação desses pedidos.

“Nos concentramos em temas que já estão na prateleira, podem ter resultado imediato”, explicou o gerente-executivo de Comércio Exterior da CNI, Diego Bonomo. “São acordos relativamente não controversos, que geram benefícios aos dois países”. O retorno do crescimento da economia americana anima os exportadores brasileiros, que veem os EUA como um alvo “importantíssimo”. O país representa, agora, 12% do mercado total para as exportações brasileiras, parcela que não ocupava desde 2009. Só em abril, o aumento das exportações ao país foi de impressionantes 32% no total, ou 44,5% se comparada a média das vendas diárias. Foi o ponto alto de uma trajetória de recuperação das vendas que começou no segundo semestre do ano passado.

A venda de produtos industrializados ocupa 75,5% da pauta de exportações. Embora esse número seja inflado por itens de baixo valor agregado como etanol, suco de laranja e ferro fundido, há mercadorias sofisticadas. Comparando-se os primeiros quadrimestres de 2014 e 2013, as vendas de aviões aos EUA aumentaram 285%, para US$ 447 milhões; e as exportações de máquinas para uso agrícola e construção civil classificadas como “outros bulldozers e angledozers de esteira” cresceram 400%, para US$ 81 milhões. As vendas de aparelhos para terraplanagem chegaram a US$ 166 milhões, alta de 87%.

O melhor desempenho da Petrobras também ajudou a reduzir o déficit nas transações comerciais com os EUA, que, em 2013, atingiu o recorde de US$ 11,4 bilhões. As compras de gasolina caíram 83%, de US$ 735 milhões para US$ 126 milhões. No primeiro quadrimestre de 2014, o déficit, de US$ 3,35 bilhões, é 30% menor que no mesmo perãodo do ano passado. Desde 2009, com a crise, o Brasil passou a ser um dos poucos países no mundo com déficit nas transações com os EUA. Mas sabe-se, em Brasília, que continuam entre nossos principais mercados de manufaturados.