A Usiminas prevê que as concessões feitas pelo governo à iniciativa privada de rodovias, aeroportos, portos e ferrovias deverão aquecer a demanda por aço no país este ano e, assim, representar um novo impulso para as vendas da empresa. Mas se a atividade econômica for mais fraca do que se prevê por ora, a direção da companhia fala em substituir parcialmente o mercado brasileiro pelo mercado dos EUA e dos países da América Latina.
A siderúrgica teve queda nas vendas de aço no quatro trimestre de 2013 em relação mesmo perãodo de 2012. No perãodo, a Usiminas vendeu 1,49 milhão de toneladas de aço, recuo de 13,8%. No ano, no entanto, as vendas domésticas chegaram a 5,4 milhões de toneladas, 7% a mais do que as vendas de 2012. Os resultados foram divulgados na sexta-feira (14).
Em entrevista ao ’Valor’, o presidente da Usiminas, Julián Eguren, disse que apesar das incertezas em relação á economia este ano, o cenário que ele leva mais em conta é o de que o ritmo seja semelhante ao do ano passado.
Estamos trabalhando com a premissa de que 2014 vai ser muito parecido com 2013, como nível de atividade, disse. A empresa fala em projeções de a economia crescer entre 1,9% e 2%. Temos algumas dúvidas que podem trazer impactos negativos, mas outros pontos terão um impacto positivo. Por exemplo, as concessões, disse ele citando aeroportos, rodovias e ferrovias. É uma oportunidade que se abre para a Usiminas, que estamos olhando muito de perto.
Eguren lembra que o setor de infraestrutura é grande consumidor de chapa grossa. É um produto que teve a queda mais importante no quatro trimestre do ano passado. A Usiminas, afirma ele, está totalmente preparada para fazer frente a esse negócio.
A Usiminas se apresenta como líder no mercado interno de aços planos. E depois de ter registrado prejuízo de R$ 598 milhões de 2012, a empresa obteve lucro líquido no quatro trimestre de R$ 47 milhões – superando o que previam analistas. O lucro do ano ficou em R$ 17 milhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) bateu a marca de R$ 1,8 bilhão em 2013, alta de 159% em relação a 2012. O Ebitda do quatro trimestre, entretanto, ficou em R$ 514 milhões – 2,4% inferior ao que esperavam analistas consultados pelo ’Valor’.
As ações da empresa oscilaram para baixo após a divulgação dos resultados e terminaram o dia com queda de 4,49%. A bolsa fechou em alta de 0,81%. Para Ronald Seckelmann, vice-presidente de finanças e relações com investidores, todo o setor siderúrgico vem sofrendo na bolsa desde o início do mês muito em função do mau humor dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil, mas também pelo efeito China. O setor siderúrgico tem sido muito afetado também pela questão da China, pelas dúvidas sobre se a China vai crescer menos, se vai começar a exportar aço.
Perguntado quais são as dúvidas e os riscos, no curto e médio prazo para a Usiminas, o argentino Eguren, há dois anos no comando da siderúrgica, falou de um eventual enfraquecimento da demanda no Brasil. Mas procurou enfatizar que a direção tem um plano B. Caso a demanda do mercado tenha uma queda significativa, que poderia [afetar as vendas], a Usiminas vai manter seu nível de produção porque mediante o convênio de associação que temos com a Ternium, há a possibilidade de exportar novamente para mercados importantes, para mercados onde a Ternium tem presença comercial e industrial de muito tempo.
A Ternium, que tem ações cotadas na Bolsa de Nova York, é uma das líderes da produção de aço na América Latina e entrou em 2012 para o bloco controlador da Usiminas, juntando-se à Nippon Steel e à Caixa dos Empregados da Usiminas (CEU).
A empresa diz que mantém como estratégia o foco das vendas no mercado interno, mas os potenciais mercados substitutos seriam Estados Unidos, México, América Central e América Central e Caribe, mais especificamente, Colômbia, Equador, Peru.