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Clippings - 16/09/10

Congestionamentos comprometem complexos brasileiros

Atrasos nos embarques de açúcar coincidem com safra recorde.

As filas e atrasos nos terminais açucareiros do País deverão se manter por mais um mês, com algumas embarcações esperando até 40 dias para atracar e iniciar operações.

Nos últimos meses, fortes chuvas atrasaram o carregamento de grãos de açúcar nos complexos de Santos (foto) e Paranaguá, afetando os mercados handysize e handymax na bacia do Atlântico. No último dia 14, por exemplo, 14 navios aguardavam atracação no terminal açucareiro de Pasa em Paranaguá, de acordo com a LBH Group.

A única embarcação que conseguiu atracar – o Federal Mattawa, de 27.780 dwts – aguardou por 40 dias. Inicialmente, o navio estava previsto para terminar sua viagem no Canadá, no dia 14. O próximo na fila será o graneleiro Filitisa, que está há 35 dias em espera.

A situação no Porto de Santos, o maior do País, é um pouco melhor. No terminal da Cosan, o tempo médio de espera é de quatro semanas. Mas a embarcação Hector, de 52.212 dwts, já aguarda há 36 dias, e não deve chegar ao destino até o final deste mês. No terminal da Gargill, os atrasos são mais curtos, com tempo médio de 17 dias. Estima-se que o tempo de carregamento na Cargill seja menor em relação às outras companhias, propiciando menor tempo de espera.

O congestionamento pode permanecer até o final de outubro, considerando que a negociação para contratos para o início do próximo mês ainda estão em andamento. No entanto, uma nova complicação poderá surgir em virtude do clima seco registrado atualmente no Brasil, acarretando na redução do volume de grãos para exportação.

O alto preço do açúcar, que alcançou a maior alta em 30 anos no início de 2010, encorajou as usinas a exportar. O Brasil exportou 3,3 milhões de toneladas de açúcar em agosto. Nos primeiros quatro meses da temporada de exportação iniciada em maio, o País exportou quase 11 milhões de toneladas, ante 9 milhões de toneladas no mesmo perãodo em 2009.

Analisando toda a safra recente, as vendas para o mercado externo subiram de 21,6 milhões de toneladas na temporada 2008/2009 para 24,7 milhões de toneladas em 2009/2010, escoadas em sua maioria através de Santos e Paranaguá. O alto volume causou uma pressão inesperada nos terminais portuários.

As chuvas de julho interromperam por uma semana a movimentação portuária, e os problemas foram crescendo desde então. A infraestrutura dos portos também não ajudou: 90% do açúcar é carregado para os navios por caminhões, e o perãodo do ano coincide com a alta temporada para exportação de grãos e farelo de soja.

Os 10% restantes trazidos pelo modal ferroviário também contribuem para o congestionamento, pois os trens cruzam as vias de acesso ao porto, interrompendo todo o tráfico de entrada e saída.

No mês passado, a International Sugar Organisation sugeriu, em relatório, que a Índia – maior consumidor mundial de grãos açucareiros – voltaria a ser exportadora líquida do produto na próxima temporada. O país passará de um déficit de quase 5 milhões de toneladas para um excedente de mais de 3 milhões de toneladas, o que provavelmente reduzirá as exportações brasileiras, aliviando a demanda portuária brasileira.