O regime de partilha é danoso à Petrobras, de acordo com o membro do conselho de administração da companhia Roberto Castello Branco. Durante o seminário “Produção de commodities e desenvolvimento econômico” nesta terça (14/7), na Fundação Getúlio Vargas, o conselheiro afirmou que a participação mínima da empresa nos projetos do pré-sal é “inviável”.
Castello Branco defendeu o sistema de concessão como a melhor maneira de maximizar recursos para o Estado, pois no sistema de partilha, além de o pagamento ser em longo prazo, ele é feito em óleo, o que gera um custo de monitoramento alto, com a estatal PPSA.
“O excesso de intervenção estatal no caso da indústria de petróleo e, particularmente, da Petrobras, foi desastroso, foi pior do que praga do cerrado, pois gerou perdas de bilhões de dólares”, afirmou.
De acordo com o conselheiro, para cumprir a menor meta de investimentos, a Petrobras terá de ser muito disciplinada, o que inclui uma menor intervenção do Estado. No Plano de Negócios 2015-2019, a empresa estabeleceu investimentos de US$ 130 bilhões para os próximos anos, US$ 90 bilhões a menos do que o previsto no plano anterior.
Castello Branco também fez críticas à política de conteúdo local, pois acredita que tal maneira de transferir recursos para a indústria tenha facilitado a formação de cartel nas licitações da petroleira. Outra intervenção estatal criticado pelo conselheiro foi o subsídio aos preços dos derivados para favorecer a indústria automobilística, o que causou perdas bilionárias à companhia.