O conteúdo local deve continuar uma questão difícil e contenciosa para os governos ao redor do mundo pelo menos no futuro próximo, acredita a Douglas-Westwood (DW). De acordo com a consultoria, é vital que os governos encontrem um equilíbrio, sendo que a principal questão a ser respondida é se o cumprimento das regras de conteúdo nacional consegue gerar redução de custos e completações eficientes de projetos.
A consultoria cita o Brasil e a Tanzânia como dois países em estágios diferentes de desenvolvimento da indústria, mas que estão discutindo o assunto no momento.
“Enquanto o Brasil é uma potência estabelecida, se recuperando de um escândalo de corrupção recente, a Tanzânia está em fase inicial de desenvolvimento após uma série de descobertas promissoras feitas por majors como Shell e Statoil. Ambos, no entanto, estão lidando com a mesma coisa: conteúdo local (…) As questões sendo discutidas nestes países não são únicas”, explicou a DW.
No caso do Brasil, a consultoria lembrou o exemplo dos oito FPSOs replicantes pela Petrobras. Inicialmente contratados à Engevix em 2010, atrasos de longo prazo e dificuldades de financiamento acabaram fazendo com que apenas três unidades fossem finalizadas, com um atraso de três anos.
Com isso, boa parte do trabalho remanescente foi transferido para a China. A DW acredita, inclusive, que isto influenciou a decisão da petroleira de pedir waiver para o conteúdo local na construção dos FPSOs de Libra e Sépia.
“A disputa sobre o waiver está impactando o cenário político mais amplo também, com rumores de atrasos na próxima rodada de licitações devido à falta de acordo sobre a extensão das reformas na regulação”, afirmou a DW.
Na última sexta-feira (17/2), o Movimento Produz Brasil, que congrega federações industriais, sindicatos e associações de classe, divulgou um comunicado criticando a proposta de mudanças nas regras de conteúdo local que deve ser anunciada pelo governo federal para a 14ª rodada de licitações da ANP, programada para este ano.
Já na Tanzânia, os principais operadores do país tem se mostrado preocupados com o impacto que as regras estabelecidas em 2015 podem ter sobre os projetos de desenvolvimento. Atualmente, o programa de contratação nacional precisa ser avaliado antes da apresentação do plano de desenvolvimento, com detalhamento inclusive de geração de empregos locais, com atualizações trimestrais sobre a implementação do conteúdo local.