As regras de conteúdo local têm sido a principal causa para o aumento de custos e atrasos nos projetos de óleo e gás no Brasil, avalia a Energy Information Administration, órgão do governo dos EUA. Em seu último relatório sobre o Brasil, a agência americana de informações atribuiu a queda da produção entre os anos de 2012 e 2013 no país ao que qualifica como ambiciosas exigências de nacionalização de bens e serviços no setor petróleo.
A EIA ressalta que as metas de nacionalização no país têm sido questionadas nos últimos anos em função da falta de capacidade de fornecedores locais para atendê-las, principalmente no caso de projetos de águas ultraprofundas, que exigem tecnologias e equipamentos mais sofisticados. “Antigos gargalos foram agora exacerbados pelo escândalo de corrupção (Lava Jato), que envolve diversos fornecedores locais”, observa a agência.
Apesar dos pedidos por mudanças regulatórias a presidente Dilma afirma que o governo manterá as regras dos contratos de partilha, bem como as políticas de conteúdo local. Atualmente, um projeto de lei de autoria do Senador José Serra (PSDB-SP) que prevê o fim da operação única da Petrobras no pré-sal – um dos principais pleitos da indústria – tramita no plenário do Senado.
Na visão da EIA, a aprovação do projeto permitiria maiores investimentos privados e estrangeiros no desenvolvimento dos blocos exploratórios offshore do país, tendo em vista as dificuldades enfrentadas pela Petrobras para lidar com a queda do preço do barril de petróleo, o alto nível de seu endividamento e a operação Lava Jato, fatores que podem comprometer as metas de produção da companhia.