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Clippings - 12/04/17

Contratações para o offshore brasileiro continuarão relevantes, acreditam especialistas

O Brasil provavelmente será o país com maior volume de gastos em serviços e equipamentos na América Latina pelo menos até o início da próxima década, acredita Matt Adams, pesquisador da consultoria Douglas-Westwood (DW).

Recentemente, a Rystad Energy divulgou que o México ultrapassou o Brasil em número de novos poços perfurados em 2016, cenário que deve continuar em 2017. O pesquisador da DW, no entanto, garante que os gastos com a atividade ainda são maiores no Brasil

“O mercado brasileiro é o principal em termos de perfuração. No México, há crescimento, mas o mercado offshore ainda está batalhando muito. A Pemex está lidando com questões financeiras e o tempo dos projetos é longo. Além disso, a perfuração mexicana é mais próxima à costa, em águas rasas, enquanto no Brasil é em águas profundas”, explicou Adams.

Adams é autor dos estudos da DW que preveem que os gastos globais com serviços de poços, perfurações e equipamentos no onshore global crescerá entre 2017 e 2021, impulsionados principalmente pelas atividades terrestres nos Estados Unidos, enquanto no offshore os valores das contratações mundiais devem cair no perãodo. Neste cenário, as contratações para as atividades no pré-sal brasileiro serão “extremamente importantes”, de acordo com o pesquisador.

“Temos grandes projetos entrando em produção nos próximos anos, como Libra, o que trará gastos associados e encomendas de FPSOs, por exemplo”, afirmou o pesquisador sobre o mercado brasileiro.

Recentemente, a Wood Mackenzie divulgou um relatório no qual afirma que os projetos em águas profundas estão ficando mais competitivos em relação aos projetos não convencionais. A causa para a redução nos custos no offshore teria vindo principalmente da otimização dos projetos e mudanças nas perfurações.

“Os preços em águas profundas estão caindo enquanto começamos a ver inflação no onshore nos EUA. (…) Não estamos vendo muitos projetos indo em frente no offshore nos últimos dois anos, mas as melhores oportunidades estão. Não acho que as aprovações de projetos de águas profundas voltarão aos níveis de 2012 ou 2013, mas teremos novos projetos”, explica Julie Wilson, analista da Wood Mackenzie

Uma pesquisa feita pela consultoria demonstrou que os custos médios em águas profundas caíram 20% desde 2014 e, com isso, atualmente há cerca de 5 bilhões de barris em projetos ainda não aprovados no mundo com break even abaixo de US$ 50/barril.

“As oportunidades do pré-sal estão entre as melhores do mundo. Os break evens são bons e o óleo tem boa qualidade, então ainda é extremamente competitivo, mesmo com as oportunidades não convencionais”, afirma Wilson.

A analista ressalta que atualmente já há projetos offshore no México com break evens mais atrativos do que os brasileiros, mas a maior parte das oportunidades mexicanas ainda estão na fase de exploração.

“Tanto Brasil quanto México terão boas oportunidades. Algumas companhias escolherão entre um e outro, mas outras estarão nos dois países. Vemos também novas descobertas na América Latina, como Guiana, Peru… É muito importante ter sucesso fora do Brasil, porque isso muda o perfil da região para algumas empresas. Há muitas companhias trabalhando agora em oportunidades de águas profundas no continente. Isso é muito bom em termos de qualidade”, comemora Wilson.

Momento é bom para novas rodadas

O pesquisador da DW e a analista da Wood Mackenzie concordam que este é um bom momento para oferecer novas áreas ao mercado. De acordo com Wilson, mesmo com a redução nos gastos, as companhias estão em busca de novas áreas.

“Este momento é uma boa oportunidade para ganhar áreas. Alguns países estão adiando as rodadas porque acham que não é um bom momento, mas outros estão vendo que precisam ser mais proativos em termos de atratividade e estão buscando ser mais pragmáticos (…) Não há dúvidas de que as companhias têm muito interesse no Brasil, que já não disponibiliza áreas há muito tempo”, explica a analista.

Já Adams acredita que o momento é propício para que as IOCs (international oil companies) busquem oportunidades no pré-sal, que ainda apresenta desafios interessantes.

“É definitivamente uma boa oportunidade de abrir o mercado para players internacionais”, afirma o pesquisador.

Nesta terça-feira (11/4), o CNPE aprovou um calendário de leilões que prevê dez licitações entre 2017 e 2019. Somente para este ano estão programados um leilão de áreas marginais, um de blocos exploratórios e dois de partilha da produção.