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Clippings - 17/11/22

COP27: Petrobras é a única capaz de conduzir transição energética justa no Brasil, diz Prates

Senador Jean Paul Prates (PT-RN). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

“A Petrobras talvez seja a única empresa capaz de conduzir essa transição de forma justa, de forma gradual o suficiente para não traumatizar segmentos, setores, populações etc”, afirmou Prates nesta quarta-feira (16), durante painel multidisciplinar integrado por representantes da FUP, Dieese, Instituto Arayara, Instituto Clima e Sociedade (iCS), USP, UFRJ e Sindipetro sobre transição do petróleo e gás no Brasil.

Painelistas cobraram participação mais efetiva da Petrobras no processo de transição energética, lembrando que a empresa se desfez das renováveis e priorizou a distribuição de dividendos para acionistas no atual governo. Ao falar da Petrobras, alguns deles se dirigiram a Prates como se este já fosse o presidente.

Prates reafirmou o papel fundamental da petroleira brasileira neste processo e chamou a companhia de “ordenhadeira do pré-sal”. “Só se faz transição, infelizmente, gostando ou não, com dinheiro, com alguém faturando e colocando alguma coisa na mesa (…). Como vai fazer transição energética se estiver ordenhando pré-sal e distribuindo em dividendos?”, indagou.

Autor do PL 576/2021, que trata da regulamentação da geração de energia offshore, Prates defendeu a diversificação da Petrobras para o segmento. O senador petista tem experiência no ramo, pois foi secretário do Rio Grande do Norte, estado pioneiro na implementação de energia eólico onshore no Brasil.

Ele lembrou que a empresa é conhecida mundialmente como bioffshore company, “então é mais que natural que migre inicialmente para eólica, da mesma forma que pense soluções sustentáveis para o gás”.

Já a diretora-executiva do Arayara, Nicole Oliveira disse que “a Petrobras tem a oportunidade de se tornar uma empresa de energia que atenda às novas necessidades globais, tornando-se uma grande produtora de hidrogênio verde, energia eólica e solar, contribuindo para o Brasil que realize a tão necessária transição energética justa, com ampla participação social gerando uma energia limpa e barata”.

“O que é melhor, GLP ou lenha? Diesel ou GNL?”

Prates quer que o uso do gás seja solução sustentável de transição energética para transporte, petroquímica e fertilizantes. Defende que o insumo seja substituto do diesel, por exemplo, para abastecimento de caminhões pesados, por meio do GNL.

A fala de Prates vai parcialmente contra o que defende a “Coalizão Energia Limpa: transição justa e livre do gás”, da qual também fazem parte o Idec, Arayara.org, Inesc, Iema, Climainfo e Instituto Pólis.

“Temos fontes mais baratas, com solar e eólica. Combustível dolarizado que trouxe explosão da tarifa. O gás não é um combustível de transição, enquanto a janela de transição é muito curta”, afirmou Ricardo Baitello, do IEMA.

O grupo entregou nesta semana à equipe de transição do governo Lula proposta onde apontam e criticam a forte presença do gás no planejamento energético do país, com 55 novos projetos de térmicas, 1.010 blocos exploratórios em oferta permanente, 19 novos projetos de terminais GNL e 9,28 mil quilômetros de gasodutos.

O Brasil aumentou a geração térmica em 24% no ano passado, com destaque para gás natural e em detrimento da geração hidrelétrica, resultado de uma forte crise hídrica. Isso colocou o país mais distante das metas do Acordo de Paris e dos compromissos de redução de até 45% de emissões de GEE até 2030.

“O gás do Brasil é viável e sai junto com petróleo, é gás associado. Então nosso desafio, quero colocar enfaticamente, é como administrar a questão das térmicas, de maneira que não seja preguiçosa e simplista. Nesse caso concordo com vocês: gás não é solução de transição energética no sentido de solução de grande porte de energia”, disse Prates, no painel da COP27 “Transição Energética Justa no Setor de Petróleo e Gás no Brasil”.

O maior alvo dos especialistas contrários ao gás como solução sustentável são as contratações das chamadas “térmicas jabutis”, que ficaram assim conhecidas ao serem incluídas em MP que não tratava desse assunto. As usinas a gás acabaram por gerar necessidade de investimentos colossais em gasodutos e linhas de transmissão.

Créditos: Sara Ribeiro / Instituto Internacional Arayara

Tudo menos térmicas jabutis

“Há muita coisa para se pensar no gás. Tudo menos essas térmicas jabutis. Quem quiser entender essa MP absurda é só pegar o histórico, fizemos 16 intervenções e perdemos por 3 votos, por promessas de instalação de térmicas a gás onde não tem gás nem mercado consumidor … um absurdo completo”, afirmou o senador do PT.

De acordo com estudo elaborado pelo Arayara, a contratação dessas térmicas vai elevar em 74% a emissão de gases de efeito estufa. A organização, que está lançando plataforma digital que mapeia todos os projetos de fontes fósseis no Brasil, ajuizou ação civil pública pela suspensão de efeitos do leilão das térmicas jabutis.

Já Cássio Cardoso, do Inesc, destacou o que classificou como retrocesso no setor de energia, com a injeção bilionária de incentivos fiscais para fontes fósseis.

Voz

O diretor da secretaria de Relações Internacionais da FUP, Gerson Luiz Castellano pediu, se dirigindo a Prates,  que os trabalhadores sejam ouvidos no processo de transição energética. Segundo ele, a Petrobras possui os recursos necessários e ideais para liderar este processo, porque tem mão-de-obra, know-how, pesquisa, tecnologias, e recursos financeiros. Ele destacou ainda o papel fundamental da Petrobras na formação de preços.

“É importante usar a renda petrolífera para desenvolver energias renováveis. Se a Petrobras não fizer isso, quem vai fazer?”, acrescentou o diretor do Sindipetro-RJ, Rodrigo Esteves, criticando o pagamento de US$ 9,7 bilhões em dividendos, um dos maiores do mundo no terceiro trimestre.

Fonte: Revista Brasil Energia