
A deputada eleita Marina Silva (Rede) afirmou, durante a COP27, no Egito, que “o caminho que está sendo perseguido é o de que a Petrobras seja uma empresa de geração de energia”. Embora tenha dito que não fala pelo governo, ela está cotada pela equipe de Lula para ser a próxima ministra do Meio Ambiente.
Durante a coletiva, Marina disse que “esta é uma transição complexa e difícil no mundo e não será fácil também para o Brasil, mas mudar esta frequência é algo estratégico”. Na sua opinião, é necessário cada vez mais investir em energia eólica, solar e em biomassa para o Brasil impulsionar a economia de baixo carbono.
“Inclusive ser um país que possa ser um grande produtor de hidrogênio verde – produção que só é possível com uma fonte de geração de energia que não seja fóssil”, complementou Marina.
Petrobras em transição
Com foco no pré-sal, a Petrobras desistiu do projeto piloto para geração eólica offshore associado ao campo de Ubarana, na Bacia Potiguar, vendeu o complexo eólico Mangue Seco e abriu mão de sua participação em usinas de biodiesel – a privatização da Petrobras Biocombustível (PBIO), no entanto, continua em aberto.
Especialistas ouvidos pelo PetróleoHoje defendem que a Petrobras reposicione sua atuação frente ao cenário de transição energética.
De acordo com Magda Chambriard, ex-diretora-geral da ANP, a companhia sempre se caracterizou pela atuação diversificada na cadeia de produção energética. Como exemplo, cita o Programa Prioritário de Termelétricas (PPT), criado pelo MME em 2000. “Essa rota [de diversificação e transição] foi interrompida pelo governo de Jair Bolsonaro. Foi uma estratégia, a meu ver, equivocada”, disse Chambriard.
Ela vê com otimismo o potencial de investimentos da Petrobras no segmento de eólica offshore, mas pondera que é necessário, de início, algum tipo de subsídio governamental. “A eólica onshore pegou no Brasil. No início, teve suporte governamental, mas hoje não precisa mais. Pra eólica offshore decolar é preciso fazer a mesma coisa. Não tenho dúvida de que é preciso perseguir esse caminho [dos investimentos]”, avalia.
O senador Jean Paul Prates (PT-RN), por sua vez, chegou a defender a fusão entre a Petrobras e a Eletrobras para acelerar o processo de transição energética. Ele é o autor do PL 576/2021, que define o marco legal para o aproveitamento dos recursos eólicos offshore.
Em entrevista ao PetróleoHoje, o senador disse que a Petrobras será um vetor que irá impulsionar o Brasil na direção da transição energética. “Não será uma ordem de governo, um ato de imposição, mas uma proposição como maior acionista de empresa”.
Fonte: Revista Brasil Energia