A atividade de descomissionamento de plataformas marítimas no Brasil carece de regras ou estímulos que assegurem a transferência das unidades desde a locação até terminais portuários e estaleiros nacionais. A principal questão envolve o deslocamento das unidades com presença de coral sol nos cascos, bioinvasor que se reproduz com rapidez e pode impactar a fauna marinha em seu trajeto de derrota (rota da remoção). Para virem até portos ou estaleiros, as plataformas carregam o coral sol, passando por áreas marinhas sensíveis, com risco de ele se desprender e se reproduzir em larga escala. Os custos das soluções existentes para essa logística são considerados altos. Na avaliação da Destri Consulting, dependendo das condições estabelecidas, o comprador de plataformas em leilões pode decidir descomissionar as unidades em outros países, em vez de trazê-las para um porto ou estaleiro no Brasil. Essa A opção retiraria oportunidades de serviços na cadeia nacional.
consultoria calcula que, somente as
plataformas a serem leiloadas no dia 9 de julho (P-07, P-12 e P-15) somem 35
mil toneladas de aço. Durante a pandemia, a Petrobras hibernou 62 plataformas
que podem ser compradas por outras operadoras no programa de desinvestimentos
da companhia, caso contrário serão descomissionadas. “Podemos ter boas notícias
de desinvestimentos ou a indústria que vai se formar em torno do
descomissionamento também vai se preparar para isso”, comentou o consultor
Mauro Destri, que participou de um webinar sobre oportunidades
geradas pelo descomissionamento para o estado do Rio de Janeiro promovido,
nesta terça-feira (16), pela Rede Petro Rio.
Os campos maduros precisam entregar o plano de descomissionamento de
instalações (PDI) em 2020 para descomissionar em 2025. Atualmente existem 19
PDIs aprovados, sendo 13 de plataformas. A revitalização do campo de Marlim,
por exemplo, inclui descomissionamento e revitalização de campos maduros.
Destri considera que os desinvestimentos dos campos maduros podem aumentar o
fator de recuperação. Ele estima que, não fossem desinvestimentos e a nova
resolução 817/2020 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), o fator de recuperação da Bacia de Campos atingiria 23%
em 2025, contra média de 35% no mundo.
O superintendente de segurança
operacional e meio ambiente da ANP, Raphael Moura, disse que a perspectiva,
antes da pandemia, era de um universo de R$ 26 bilhões de investimentos nos
próximos anos considerando as atividades programadas. “O Brasil é o terceiro
maior polo de descomissionamento do mundo, atrás dos Estados Unidos e do Mar do
Norte”, comentou. Moura lembrou que a nova resolução da agência contou com
participação da Marinha e do Ibama e consultas a outros órgãos como a Comissão
Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Ele adiantou que o PDI da P-07 está em fase
final de análise, enquanto o da P-15 deve ter um processo um pouco mais longo.
A P-12, que será leiloada junto com essas duas unidades, já teve o PDI aprovado.
O procurador e responsável pela plataforma portuária industrial Estaleiro Mauá
e diretor da consultoria Cisporto, Heitor Ciuffo, sugeriu o aprofundamento das
discussões entre governo e iniciativa privada para internalizar no país o
conceito de logística reversa. Ele explicou que, hoje, os estaleiros já são
responsáveis pelos resíduos de diferentes origens. “Precisamos que todos
entendam as nossas dificuldades. Como vamos conseguir administrar esse universo
de dúvidas? Precisamos criar discussões em terra”, disse Ciuffo.
Fonte: Revista Portos e Navios