O alumínio foi o destaque positivo de agosto entre os principais metais não ferrosos com uma alta de 3,2%. O metal teve seu preço puxado pela redução da produção, principalmente no Brasil, e por expectativas de um mercado mais apertado nos próximos meses. Cobre, níquel, zinco e chumbo, entretanto, tiveram um mês de pequenas variações. Dados mais fracos da indústria da China e a valorização do dólar mantiveram os preços mais contidos, segundo analistas.
“O alumínio vem em uma sequência forte de alta desde o início do ano, basicamente por causa da redução da produção. Os cortes feitos no Brasil tiveram repercussão internacional”, diz Bruno Rezende, da Tendências Consultoria. Alcoa, BHP Billiton, Votorantim Metais e Novelis cortaram produção desde o ano passado.
Por enquanto, o mercado global de alumínio ainda está equilibrado, mas já há analistas prevendo uma situação de déficit nos próximos meses. Os estoques globais estão em queda neste ano, acrescenta Rezende, apesar de ainda seguirem em um alto patamar. Em julho, o volume estocado nos armazéns da bolsa de Londres (LME) somava 4,9 milhões de toneladas, 9,3% abaixo do montante do mesmo mês do ano passado, mas ainda muito superior ao patamar de um milhão de toneladas em 2009.
Já o níquel, que acumula valorização de 34% no ano, ficou praticamente estável em agosto. Depois da arrancada nos primeiros meses do ano, com a proibição da exportação de minério de níquel na Indonésia, agora a cotação do metal está estabilizado. Muito usado na produção de aço inox, o níquel vem oscilando entre US$ 18 mil e US$ 20 mil por tonelada. As companhias que utilizam o metal elevaram estoques de janeiro a abril por prevenção, na expectativa de alguma escassez, o que ajudou a puxar o preço. Agora, estão bem supridas.
Apesar de uma leve variação negativa em agosto, o zinco acumula ganho de quase 14% no ano, resultado de um balanço mais apertado de oferta e demanda.
Enquanto isso, o cobre vem mostrando um desempenho ruim em 2014, muito prejudicado pelo crescimento mais contido da economia chinesa, principal consumidora do metal no mundo. O dólar em alta nos últimos dias também prejudica as cotações. Como os metais são negociados em dólares, ficam mais caros para os investidores que têm outras moedas.
No universo dos ferrosos, o minério de ferro teve ontem seu nono dia seguido de queda e acumula uma desvalorização de 8,7% em agosto. O preço estava ontem em US$ 87,30 por tonelada no mercado à vista da China, menor patamar desde 6 de setembro de 2012 (US$ 87). A redução das compras das siderúrgicas chinesas, que estão consumindo estoques, tem pressionado a cotação nas últimas semanas. De um pico de 113 milhões de toneladas, o volume estocado caiu para 109 milhões de toneladas na China.
No ano, a matéria-prima do aço tem queda de 35%. O preço vem caindo principalmente por causa do aumento da produção global. Em relatório de 29 de julho, o Barclays estimava um adicional de 152 milhões de toneladas ao mercado neste ano e de 145 milhões de toneladas em 2015.