As duas empresas não decidiram o que fazer com a licença para usar a marca Esso, que foi comprada em 2008 pela Cosan da Exxon Mobil.
A Cosan e a Royal Dutch Shell planejam fazer muitas aquisições depois de formarem uma parceria para a produção de açúcar e etanol no Brasil, disse nesta quarta-feira (25) o presidente da Cosan, Marcos Lutz.
A nova companhia formada pelas duas empresas pretende comprar processadores de cana-de-açúcar no Brasil e pode considerar aquisições também no exterior para ter acesso a mercados que cobram tarifas de importação sobre o etanol brasileiro, disse Lutz em entrevista hoje em São Paulo.
Juntos, temos um motor muito mais potente, então estamos prontos para muitas aquisições, disse ele. O Brasil é inigualável em termos de produção de cana-de-açúcar.
A Shell, maior petrolífera da Europa, e a Cosan, maior processadora mundial de cana-de-açúcar, firmaram hoje um acordo final para formar a parceria.
Segundo os termos do acordo, a Shell vai entrar com até US$ 1,95 bilhão em dinheiro e ativos, incluindo 2.740 postos de combustíveis. A Cosan participa com 23 usinas de esmagamento de cana, 1.730 postos e outros ativos.
A Cosan também pode fazer aquisições sozinha e tem espaço para aumentar seu endividamento após a transferência de US$ 2,52 bilhões em sua dívida para a nova empresa, disse Lutz.
A Cosan e a Shell não planejam emitir ações da companhia que será formada, que ainda não tem nome, disse o executivo. As duas empresas não decidiram o que fazer com a licença para usar a marca Esso, que foi comprada em 2008 pela Cosan da Exxon Mobil, junto com ativos de distribuição, por US$ 826 milhões.
A Shell, com sede em Haia, terá a opção de comprar a fatia de 50% da Cosan na parceria depois de 10 anos de formação da nova empresa.
Depois de 15 anos, qualquer uma das duas empresas pode exercer o direito de compra da participação do sócio. A Shell pode assumir o controle total, em caso de morte do fundador e presidente do conselho da Cosan, Rubens Ometto, de acordo com o comunicado.
O negócio inclui oito projetos de usinas elétricas e um financiamento de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que não faziam parte do acordo inicial anunciado em fevereiro.