
Resultado das empresas foi impulsionado pelo desempenho do transporte doméstico, que avançou 4,2%, e pelo feeder, que registrou crescimento de 6,9%, indicando retomada em relação ao observado no trimestre anterior
A cabotagem brasileira apresentou sinais de recuperação no segundo trimestre de 2026, após resultados menos expressivos nos três primeiros meses do ano. De abril a junho, a movimentação de cargas na cabotagem (doméstico + feeder) totalizou 462.713 TEUs, 5,6% acima dos 438. 365 TEUs registrados no mesmo período do ano anterior. O levantamento considera as empresas da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).
De acordo com levantamento da associação, o resultado das empresas de cabotagem foi impulsionado pelo desempenho do transporte doméstico, que avançou 4,2%, e pelo segmento feeder, que registrou crescimento de 6,9%, indicando uma retomada em relação ao desempenho observado no trimestre anterior. As cargas domésticas transportadas pela cabotagem totalizaram 224.627 TEUs, ante 215.642 TEUs no segundo trimestre de 2025. Já o feeder somou 238.086 TEUs, contra 222.723 TEUs na comparação entre segundos trimestres.
O trade Mercosul apresentou crescimento de 87% no segundo trimestre, com uma movimentação de 41.892 TEUs, ante 22.407 TEUs do mesmo trimestre de 2025. A associação avalia que, embora ainda represente um volume relativamente pequeno de cargas, o resultado confirma a retomada das operações nesse mercado.
Semestre
No acumulado do primeiro semestre, a cabotagem (doméstico + feeder) registrou crescimento de 0,9%. O desempenho foi sustentado principalmente pelo transporte doméstico, que cresceu 6,1%, compensando a retração de 3,6% no segmento feeder.
Considerando todas as operações realizadas pelas empresas associadas à Abac, o crescimento foi de 9,5% no segundo trimestre e de 4,5% no acumulado do semestre. Cargas domésticas, feeder e do Mercosul totalizaram 504.605 TEUs, ante 460.772 TEUs comparação entre segundos trimestres. No primeiro semestre de 2026, foram 978.261 TEUs, superando os 935.057 TEUs no primeiro semestre do ano ano passado.
A associação destacou que os números demonstram a resiliência da cabotagem e reforçam a importância do modal para a logística nacional. O diretor-executivo da Abac, Luis Fernando Resano, disse à Portos e Navios que os números são expressivos e mostram o constante crescimento da demanda do modal e demonstrando também que as empresas de cabotagem estão dispostas a atender os usuários.
“Os números da cabotagem consolidados no primeiro semestre de 2026 mostram que ainda que o primeiro trimestre não tenha sido dos melhores, houve recuperação no segundo trimestre mostrando que, mesmo com a economia do país andando meio de lado, temos um potencial muito grande e mais usuários usando a cabotagem”, analisou Resano.
O segmento vai acompanhar o impacto da medida provisória 1.343/2026, aprovada pelo Senado na última terça-feira (14). A ‘MP do frete’ altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário, mas sem o piso salarial de R$ 5 mil mensais para os caminhoneiros. Como passou por uma série de mudanças, a medida foi transformada em um projeto de lei de conversão (PLV 6/2026), cujo texto seguiu para a sanção da Presidência da República.
Resano explicou que o texto atual não considera a multimodalidade e estabelece valores de frete nas pontas. “Após a MP 1.343/2026 sobre o piso mínimo podemos ter algumas alterações. Esperamos que seja em benefício do maior uso da cabotagem”, comentou. A associação também vem demonstrando preocupação com questões de qualquer limitação do crescimento da frota relacionados à exigência de navios sustentáveis que podem eventualmente limitar ou dificultar as empresas brasileiras de navegação (EBNs) de crescerem suas frotas.
Fonte: Portos e Navios.