
Detentora de uma carteira de contratos de US$ 2,4 bilhões e cinco sondas, a Foresea inicia suas operações no Brasil. A empresa, criada a partir da reestruturação da antiga unidade de perfuração da Ocyan, surge com uma estrutura acionária pulverizada, aporte massivo de capital, dívida enxuta e despesas em queda.
Antes credores, fundos internacionais assumiram o controle da empresa após converterem os títulos da dívida em capital e aporte de US$ 197 milhões. O montante será destinado a novos investimentos, cobrirá despesas operacionais da reestruturação e juros da dívida que ficaram suspensos durante as negociações com os credores nos últimos oito meses.
A dívida, que antes acumulava a cifra de US$ 2,8 bilhões, despencou para US$ 300 milhões a serem pagos em sete anos. Já os custos financeiros tiveram queda de 90%. “A saúde financeira está preparada para um novo ciclo de crescimento”, garantiu o CEO Rogério Ibrahim, antigo CFO da Ocyan.
Constituída em Luxemburgo, mas com operações focadas no Brasil, a Foresea possui estrutura de capital fechada, mas pulverizada. Embora ainda não se saiba com exatidão quantos fundos se tornaram acionistas da empresa, quatro deles detêm 62% da participação total. A Ocyan, que possui 6,64% e um acordo de non compete por cinco anos, terá direito a um assento no CA, que será ocupado pelo CEO Roberto Ramos.
Ao todo, o CA será composto por sete membros. Além de Ramos, quatro conselheiros foram indicados pelos fundos controladores e os outros dois, por força de lei, são obrigados a residir em Luxemburgo.
“Drilling” de novos prospectos
A Foresea herdou não apenas a carteira de unidades de perfuração da Ocyan – a ODN I, ODN II, Norbe VI, Norbe VIII e Norbe IX, além do contrato de operação da Hunter Queen (antiga West Capricorn), que pertence à PRIO -, mas também toda a equipe operacional da “meia-irmã”.
Com dinheiro em caixa, a novata já quer ampliar o seu portfólio. Segundo Ibrahim, a companhia está analisando a aquisição de sondas já existentes – quer estejam nos estaleiros, quer sejam operadas por terceiros. Entre adquirir uma unidade própria ante operar a sonda de outrem, a preferência sempre será pela primeira opção.
“Mas tudo depende da ‘vontade do terceiro’. Afinal, o proprietário da sonda também pode ter a perspectiva de ter a sua própria embarcação. Aí entra a negociação”, pontuou o executivo. Indagado sobre construir novas unidades, o CEO foi taxativo: não há qualquer movimento de novas ordens de construção no mercado internacional.
Atualmente, as cinco sondas possuem contratos de afretamento com a Petrobras. A ODN I iniciará o contrato no 4T23, possivelmente em outubro, com duração de três anos. Já a ODN II, que estava até poucos dias na Margem Equatorial, está afretada até o final de 2024, mas já possui um novo contrato que entrará em vigor no início do próximo ano e irá perdurar até 2027. A Norbe VI, por sua vez, está terminando um contrato com a PRIO, mas já possui outro assinado com a Petrobras até 2025, com opção de prorrogação por mais um ano.
Por fim, a Norbe VIII e a Norbe IX são as unidades que possuem os contratos mais curtos da carteira. O afretamento da primeira unidade vai até o segundo semestre de 2024, enquanto o término da segunda está previsto para o final de 2024, mas com opção de extensão.
“A tarifa da Norbe IX, a meu ver, é suficientemente atraente para a Petrobras exercer a prorrogação contratual”, avalia Ibrahim. Segundo apuração do PetróleoHoje, o contrato de afretamento, celebrado em junho de 2021, foi fechado em US$ 179,5 mil/dia, pouco abaixo do valor original apresentado pelo Ocyan na licitação.
No que se refere à operação de sondas de terceiros, o CEO destacou que a Ocyan começou a explorar o nicho de mercado a partir da estreita relação estabelecida com a PRIO. Na ocasião, a petroleira decidiu adotar a estratégia de trocar os contratos de afretamento pela aquisição de uma unidade própria. Como a Ocyan já tinha uma equipe dedicada às operações da PRIO, o resto é história.
“A operação de sondas de terceiros é um nicho complementar, não será o nosso core business“, esclareceu o executivo. No entanto, ele elencou algumas vantagens do modelo de negócio, como a diluição de custos diretos e indiretos e alocação de equipe. “As operadoras independentes tendem a optar por ter uma unidade própria. Já as IOCs e, no caso, a Petrobras, tendem a permanecer com contratos ortodoxos de afretamento”, explicou.
Por ora, a Foresea não possui planos de afretar ou operar sondas fora do país. Além de não ter sondas ociosas, Ibrahim acredita que o mercado brasileiro absorverá qualquer unidade que a empresa venha a adquirir.
Recém-criada, mas já de olho na transição
Embora a perfuração seja sua principal atividade, a companhia vislumbra novas áreas de negócios alinhadas à transição energética. No entanto, ainda não definiu em qual segmento pretende apostar suas fichas. A discussão será levada para a primeira reunião presencial do CA, marcada para 20 de junho. “Iremos nos posicionar na transição energética. Já estamos avaliando algumas oportunidades”, adiantou o executivo.
A Forsea possui escritórios na cidade do Rio de Janeiro e em Macaé (RJ). O primeiro está situado no mesmo edifício da Ocyan, mas em andares distintos – a novata está no 12º andar, enquanto a “veterana” ocupa os pisos 9 e 10. Atualmente, conta com cerca de 1.600 colaboradores, com quase 70% do contingente empregado no ambiente offshore. “É a melhor empresa de perfuração do Brasil”, cravou o CEO da Foresea, Rogério Ibrahim.
Fonte: Revista Brasil Energia