A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou ontem que ainda não fez uma oferta
vinculante para aquisição da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que está entre os ativos nas Américas colocados à venda pela alemí ThyssenKrupp no ano passado. A informação foi dada pelo diretor de Relações com Investidores da CSN, David Salama, em teleconferência com analistas.
O executivo ressaltou porém, que a CSN tem obrigação de acompanhar todos os movimentos nos mercados em que atua, e que a empresa sempre teve como característica ser uma companhia conservadora em
termos de aquisições.
A ThyssenKrupp, que colocou a CSA e uma laminadora nos Estados Unidos à venda após sofrer prejuízos bilionários com as unidades, havia definido prazo de 30 de março para receber ofertas vinculantes. A CSN era considerada como uma das empresas interessadas na aquisição dos ativos.
Evitando fazer mais comentários sobre a venda dos ativos da ThyssenKrupp, Salama comentou que o atual nível de endividamento da CSN é uma das principais questões sendo discutidas pela diretoria da companhia.
A CSN terminou 2012 com relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 3,47 vezes, e Salama afirmou aos analistas que o objetivo da empresa este ano é reduzir a relação para abaixo de três vezes.
Para cumprir o objetivo, a CSN manterá disciplina no uso de caixa e espera conseguir elevar o Ebitda com aumento nas vendas de aço e exportações de minério de ferro. O investimento está sendo mantido em R$ 3,1 bilhões.
A CSN divulgou na quinta-feira que encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 316 milhões, queda de 61% sobre o resultado obtido um ano antes, mas que ficou acima dos R$ 165,75 milhões esperados pelo mercado.
A previsão da companhia é aumentar as vendas de aço em 2013 em 6,3%, para 6,2 milhões de toneladas, incluindo operações na Alemanha e início da produção de aços longos no Brasil. O diretor comercial, Luis Fernando Martinez, afirmou que a empresa olha com bastante otimismopara o mercado de aço brasileiro no segundo trimestre e eventualmente ao longo do ano pode haver recuperação de preços, além dos reajustes
promovidos pela empresa nos três primeiros meses do ano.
Enquanto isso, as exportações de minério de ferro devem subir cerca de 12%, para 29 milhões de toneladas, de uma produção total da commodity estimada em 36 milhões de toneladas incluindo aquisição de terceiros.
O crescimento das vendas de minério é esperado mesmo com problemas na produção do insumo na mina Casa de Pedra no primeiro trimestre, disse o diretor de mineração, Daniel dos Santos.
Segundo ele, falhas estruturais foram encontradas no fim de janeiro em uma das máquinas que fazem alimentação de uma unidade de beneficiamento de minério, com apresentação de trincas. O equipamento tem 52 metros de largura e 700 toneladas e está sendo reparado pela companhia.
Sobre os investimentos previstos para 2013, Salama afirmou que a CSN espera investir cerca de R$ 400 milhões em siderurgia. O valor inclui a finalização da usina de aços longos da companhia em Volta Redonda, que deverá registrar vendas de 500 mil toneladas em 2014. A área de mineração receberá R$ 660 milhões.
Além disso, a companhia vai aplicar R$ 1 bilhão na construção da ferrovia Transnordestina em 2013, que vem recebendo críticas diante da pouca visibilidade dada pela empresa no projeto. Salama explicou que ao longo de 2013 a CSN pretende detalhar uma nova forma de negócio que a Transnordestina vai ter e que a empresa deve assinar acordos com o governo sobre a ferrovia nos próximos meses.
– Posso dizer que o plano vai equacionar muito bem a forma como o projeto será financiado daqui para frente e também ficará mais claro o retorno do capital investido.