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Clippings - 26/05/26

Custo com bunker subiu mais de 100% após início da Guerra no Oriente Médio

Oscilação levou empresas de cabotagem a adotarem taxas de emergência para reduzir impactos, já que combustível marítimo representa até 40% do valor do frete do modal. EBNs apontam falta de subsídios em comparação ao diesel utilizado no transporte rodoviário 

O aumento do custo dos combustíveis nos últimos três meses, sobretudo do bunker, levou empresas de cabotagem a adotarem medidas para reduzir os impactos sobre as atividades. A tonelada do combustível marítimo, que estava entre US$ 480 e US$ 500 antes do início da Guerra no Oriente Médio, bateu os US$ 1.100 dólares, variação de mais de 100%. A principal medida observada no setor é a cobrança de uma taxa adicional para compensar o aumento para a navegação pela costa brasileira. De acordo com a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), o impacto é relevante, considerando que o bunker representa de 30% a 40% do valor do frete do modal.

A Abac lamenta o histórico de subsídios para o transporte rodoviário. Um dos mais recentes foi a edição da medida provisória 1.358/2026, publicada no último dia 13 de maio, que autoriza a concessão de subvenção econômica aos produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo, com o objetivo de mitigar os impactos econômicos causados pelo choque no mercado internacional de energia decorrente do conflito no Oriente Médio. Nesta segunda-feira (25), o governo federal publicou um decreto regulamentando a MP.

“O governo brasileiro não olha para todos os modais. Os caminhoneiros fazem pressão pelo subsídio. E a cabotagem? O bunker que consumimos é produzido no Brasil, fruto da exploração de petróleo no Brasil. Por que o bunker acompanha o preço internacional?”, questionou o diretor executivo da Abac, Luis Fernando Resano.

Resano ressaltou à Portos e Navios que o preço do bunker está sendo muito impactante sobre as empresas de cabotagem, que ainda precisam arcar com a oscilação cambial e com a tributação estadual, sobretudo o ICMS. O bunker é cotado a preços internacionais, seguindo valores cobrados em grandes hubs portuários como Roterdã, na Holanda, ou Singapura.

Ele considera que esse cenário reforça a oportunidade de o Brasil investir em soluções locais, como o biodiesel, a fim de que o país avance em termos de independência energética. “Ainda não escutei reclamações dos usuários. Essa está sendo uma prática internacional: as empresas [longo curso] estão aplicando taxas [extras]. Quanto mais longa é a viagem, mais caro fica. As EBNs acompanham o valor da cotação do bunker diariamente para definir o valor dessa sobretaxa”, explicou Resano.

A Log-In Logística Intermodal implementou uma taxa adicional de emergência — EFA (Emergency Fuel Adjustment), para compor os custos adicionais com o insumo. A empresa percebeu o impacto no bunker a partir do final de fevereiro deste ano. No caso do diesel, a variação foi de mais de 20%, enquanto o bunker chegou a picos de mais de 100%, desde o início dos conflitos no Oriente Médio.

A sobretaxa é aplicada para cobrir a alta volatilidade dos custos com bunker e diesel para a logística da empresa. “Criamos essa sobretaxa para cobrir esse momento de alta volatilidade. A taxa varia de forma rápida, refletindo a flutuação internacional e acaba criando um ‘hedge’ (proteção financeira) em cima disso”, comentou o presidente da Log-In, Marcus Voloch, em teleconferência sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre.

Fonte: Revista Portos e Navios