A alemí Deutsche Erdoel AG (DEA) tem interesse em participar das próximas rodadas programadas no Brasil e já avalia opções, tanto sozinha quanto em consórcio. Apesar de já ter uma subsidiária no país desde 2013, a petroleira optou por abrir apenas agora um escritório no país, que será comandado por Christoph Schlichter.
A DEA tem interesse não apenas nas próximas rodadas, como também na aquisição de ativos vendidos por outras petroleiras. Entre os fatores que motivaram a abertura do escritório no país estão o anúncio do governo brasileiro de um calendário de leilões para os próximos dois anos, além do programa de desinvestimentos da Petrobras, que a alemí enxerga como uma oportunidade para potenciais cooperações.
“A DEA tem por objetivo atuar no Brasil como operadora”, afirma Schlichter.
Até então general manager da companhia na Líbia e na Argélia, o executivo assumirá o cargo na filial brasileira e começará a montar a equipe da brasileira da empresa, que contará com funcionários locais e especialistas estrangeiros do grupo.
Inicialmente, o objetivo é conversar com a ANP e outros players da indústria para entender melhor as condições de mercado no país. Não por acaso, a sede será na praia de Botafogo, no mesmo edifício que já abriga outras petroleiras, como a Eneva e a Geopark.
Com experiência no offshore de países como Noruega e Egito, além de presença na Dinamarca, Alemanha e Argélia, o foco inicial no Brasil provavelmente será em áreas marítimas. A América Latina, inclusive, deve contribuir para os esforços da companhia de chegar a 2021 com o dobro da produção de 2016, que foi de 138 mil boe/dia (61 mil barris/dia de óleo e 13,3 milhões de m³/dia de gás).
“O Brasil é um dos países promissores para alcançar este objetivo”, comenta a empresa.
A expansão na região ocorre também no México, onde a DEA acaba de arrematar um bloco na primeira fase da Rodada 2 do país. A petroleira alemí terá 30% de participação no bloco 2 do sudoeste do Golfo do México, que será operado pela Pemex (70%). A empresa disputou a área com a Eni, mas ganhou após apresentar uma oferta com maior retorno para o governo mexicano.
Localizado em águas rasas, o primeiro bloco mexicano da companhia tem incidência de óleo leve e gás, e deve receber pelo menos um poço exploratório nos próximos quatro anos.
“Estamos interessados num compromisso a longo prazo na região e estamos dispostos a realizar os investimentos adequados” refere Thomas Rappuhn, CEO da companhia.
Ao final de 2016, o grupo DEA contava com 667 milhões de boe em reservas provadas globalmente. No ano passado, a companhia investiu € 646 milhões em seus ativos, aumento de 6% em relação a 2015, na contramão da maioria das petroleiras, que vêm reduzindo aportes em meio à crise. A companhia também conseguiu aumentar as receitas de € 1,1 bilhão em 2015 para € 1,5 bilhão em 2016 e fechou o ano passado com um lucro de € 382 milhões.